O senador eleito Alexandre Guimarães (MDB-TO) manifestou publicamente sua oposição à recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência do Senado Federal, acrescentando um novo elemento à disputa pelo comando da Casa. A declaração foi divulgada nesta quinta-feira (5 de novembro), em reportagem do Jornal da Cidade Online, após uma interação do parlamentar com seguidores no Instagram. Ao responder a um comentário, Guimarães afirmou: “Quem tem decisão de verdade, não vota no Alcolumbre!”. A manifestação chama atenção porque o político pertence ao MDB, partido cujas lideranças nacionais vêm articulando apoio à permanência do atual presidente do Senado. O posicionamento individual demonstra que a orientação das cúpulas partidárias não representa necessariamente a preferência de todos os integrantes das bancadas. A eleição da nova Mesa Diretora está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os 81 senadores deverão escolher o responsável por conduzir os trabalhos legislativos durante os dois anos seguintes. Alcolumbre busca permanecer no cargo, enquanto integrantes da oposição trabalham para construir uma candidatura alternativa. Apesar da manifestação contrária, Guimarães ainda não anunciou formalmente qual candidato receberá seu voto.
A manifestação de Alexandre Guimarães ocorreu em meio ao crescimento das discussões sobre a sucessão no Senado. Segundo a reportagem que divulgou o episódio, o parlamentar utilizou seu perfil no Instagram para demonstrar que não pretende modificar seu posicionamento diante das negociações entre os partidos. A declaração tem importância política porque o MDB está entre as legendas consideradas relevantes para a formação de uma maioria favorável à recondução de Alcolumbre. Lideranças emedebistas, entre elas o senador Eduardo Braga (AM), participaram das articulações destinadas a consolidar o apoio ao atual presidente. Entretanto, a posição de Guimarães revela que a decisão poderá encontrar resistência dentro da própria legenda. O parlamentar foi eleito senador pelo Tocantins em outubro, depois de exercer mandato na Câmara dos Deputados, e deverá assumir sua nova função em fevereiro de 2027. Natural de Araguaína, tem trajetória ligada à advocacia, à atividade agropecuária e à política regional. Nas eleições deste ano, conquistou 316.786 votos, segundo os dados divulgados sobre sua votação. A conquista de uma cadeira no Senado ampliou sua participação no cenário político nacional. Agora, sua primeira grande manifestação relacionada à organização da futura legislatura ocorre justamente em uma disputa que poderá determinar a relação de forças entre governo e oposição.
A eleição para a presidência do Senado ganhou intensidade após o Partido Liberal oficializar, na quarta-feira (4), a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da oposição. O lançamento reuniu representantes de diferentes legendas e consolidou a intenção do partido de apresentar uma alternativa a Alcolumbre. A legenda deverá iniciar a próxima legislatura com 29 senadores, constituindo a maior bancada da Casa. O Partido Novo, que terá três representantes, também anunciou apoio ao projeto político de Marinho. Mesmo com essa base, o candidato precisará conquistar votos de outras siglas para alcançar a maioria necessária à vitória. É nesse contexto que a declaração de Alexandre Guimarães ganha relevância. Embora o parlamentar pertença ao MDB, considerado parte importante das negociações de Alcolumbre, sua oposição pública à candidatura do atual presidente poderá beneficiar indiretamente o campo adversário. Isso não significa, porém, que seu voto esteja automaticamente assegurado a Marinho. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também participa das articulações e mantém interesse em disputar a presidência. Uma eventual divisão entre candidatos contrários a Alcolumbre poderá influenciar o resultado, especialmente porque a eleição será realizada por voto secreto.
Davi Alcolumbre, por sua vez, continua trabalhando para ampliar sua base de sustentação política. O senador do Amapá conta com manifestações favoráveis de lideranças do MDB, PSD, União Brasil e Progressistas, além de manter diálogo com integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta quinta-feira, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, defendeu que o Palácio do Planalto apoie a recondução de Alcolumbre. Segundo Randolfe, entre os nomes apresentados até agora, o atual presidente demonstra maior capacidade de interlocução com o Executivo. Entretanto, o parlamentar esclareceu que ainda não existe uma posição oficial do governo Lula sobre a disputa. Outros movimentos também mostram que Alcolumbre permanece competitivo. Na Paraíba, por exemplo, Veneziano Vital do Rêgo (MDB) sinalizou apoio à sua continuidade, enquanto integrantes do PSB também trabalham para formalizar uma posição favorável. Esses apoios demonstram que o cenário não pode ser interpretado apenas a partir das declarações de parlamentares contrários à reeleição. O resultado dependerá de uma combinação de alianças partidárias, compromissos individuais e negociações realizadas até fevereiro. Portanto, a manifestação de Guimarães representa uma dificuldade política específica, mas não comprova que Alcolumbre esteja perdendo a maioria necessária para permanecer no cargo.
Outro fator que torna a disputa imprevisível é a ausência de transparência sobre os compromissos individuais de voto. Como a eleição para a presidência do Senado ocorre por votação secreta, os parlamentares não são obrigados a revelar publicamente suas escolhas. Rogério Marinho tem defendido que integrantes da oposição anunciem antecipadamente suas preferências para reduzir a possibilidade de mudanças de posicionamento no momento da votação. A estratégia busca transformar declarações políticas em compromissos públicos, embora não exista mecanismo que assegure o cumprimento de cada manifestação. De acordo com reportagens sobre os bastidores da disputa, tanto Alcolumbre quanto Marinho trabalham com estimativas elevadas de apoio, algumas delas incompatíveis entre si. Isso demonstra que parte dos votos pode estar sendo considerada por mais de um grupo político. A situação também explica por que as manifestações de parlamentares recém-eleitos recebem atenção especial. Os futuros senadores poderão modificar o equilíbrio das bancadas e influenciar a definição de cargos estratégicos, comissões parlamentares e prioridades legislativas. Além disso, a presidência do Senado possui atribuições relevantes na condução dos trabalhos do Congresso e no encaminhamento inicial de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Essas competências tornaram a disputa especialmente importante para setores da oposição, que defendem mudanças na relação entre o Legislativo e o Judiciário.
A declaração de Alexandre Guimarães acrescenta uma nova variável às articulações para a presidência do Senado, mas o resultado permanece indefinido. O posicionamento contrário a Davi Alcolumbre indica uma possível divergência entre a orientação do MDB e a escolha individual de um de seus futuros representantes. Ao mesmo tempo, não existem elementos suficientes para afirmar que o parlamentar tenha retirado um apoio anteriormente garantido, nem que esteja comprometido com a candidatura de Rogério Marinho. A definição dependerá das negociações realizadas nos próximos meses e das condições políticas existentes no momento da votação. Para Alcolumbre, o desafio será transformar o respaldo anunciado por dirigentes partidários em votos efetivos, especialmente entre senadores que apresentam resistência à sua permanência. Para a oposição, a prioridade será ampliar o número de apoiadores e construir um entendimento capaz de evitar a fragmentação de seus votos. Enquanto isso, declarações individuais como a de Guimarães continuarão sendo observadas pelos grupos que disputam o comando da Casa. A eleição de fevereiro de 2027 poderá influenciar diretamente o andamento das principais propostas legislativas, a relação entre os Poderes e a capacidade de articulação do próximo governo. Por enquanto, a informação central é que um senador eleito pelo MDB declarou publicamente sua oposição a Alcolumbre, contrariando a direção das negociações conduzidas por lideranças de seu próprio partido. O episódio representa mais uma demonstração de que a disputa pelo Senado está longe de apresentar um resultado definido.






