Em entrevista, Flávio Bolsonaro fala sobre sua saída do Brasil e faz revelação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, que não recebeu ajuda de nenhum governo estrangeiro ou de outras pessoas para deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos. A declaração foi publicada nesta quinta-feira (5), após questionamentos sobre como o parlamentar conseguiu sair do país sem passar pelo controle regular de fronteiras, mesmo diante de uma determinação judicial que o impedia de viajar.

Flávio deixou o Brasil em 28 de outubro, três dias depois de ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Antes da viagem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes havia proibido o senador de deixar o território nacional. Além disso, a Polícia Federal o intimou a entregar seus passaportes, determinação que, segundo a reportagem, não foi cumprida.

De acordo com as informações divulgadas, o parlamentar embarcou em um avião na Argentina com destino a Miami, nos Estados Unidos, realizando uma escala no Equador. Na entrevista ao jornal, Flávio afirmou que organizou o deslocamento por conta própria e negou ter recebido qualquer tipo de auxílio externo. Ao ser questionado sobre a participação de autoridades ou governos estrangeiros, declarou que não teve ajuda de ninguém.

O senador também se recusou a revelar detalhes sobre o planejamento e a execução da viagem. Questionado sobre como conseguiu chegar aos Estados Unidos, afirmou que não pretende contar o que aconteceu. A declaração indica que Flávio pretende manter em sigilo as circunstâncias da saída do Brasil, mesmo diante das dúvidas levantadas sobre o trajeto realizado e as condições em que deixou o território nacional.

Durante a entrevista, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro também comentou as investigações das quais é alvo no Brasil. Ele afirmou ser inocente e declarou que decidiu deixar o país porque acreditava que os procedimentos conduziriam inevitavelmente a uma condenação e à sua prisão. A afirmação foi apresentada pelo próprio senador, sem que a reportagem detalhasse os processos ou apresentasse uma decisão judicial que confirmasse essa previsão.

Flávio também falou sobre sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O senador agradeceu ao republicano por permitir que sua família permanecesse em território norte-americano. Além disso, avaliou que Trump agiu corretamente ao não apoiar publicamente nenhum dos lados durante a disputa presidencial brasileira.

A declaração sobre a ausência de interferência do governo norte-americano ocorre em meio às discussões sobre a saída de Flávio do Brasil e sua permanência nos Estados Unidos. O parlamentar negou ter recebido assistência de autoridades estrangeiras, mas não apresentou detalhes sobre os procedimentos utilizados para realizar a viagem. Ao mesmo tempo, sua recusa em explicar o trajeto mantém sem esclarecimento público parte das circunstâncias do deslocamento.

O caso também envolve o cumprimento das determinações judiciais relacionadas à saída do senador. A proibição de deixar o país, determinada por Alexandre de Moraes, e a intimação para entrega dos passaportes são pontos centrais para compreender o contexto da viagem. A entrevista ao The New York Times acrescentou a versão de Flávio sobre o episódio, mas não esclareceu como ele conseguiu realizar o deslocamento apesar das restrições mencionadas.

Até o momento descrito pela reportagem do R7, Flávio sustentava que organizou a viagem sozinho, negava qualquer ajuda governamental e afirmava que não se arrepende de sua decisão de deixar o Brasil. O senador também declarou que pretende guardar os detalhes da saída em segredo. As explicações apresentadas ao jornal norte-americano, portanto, representam a versão do próprio parlamentar sobre um episódio que envolve decisões judiciais e questionamentos sobre sua saída do território brasileiro.