Bolsonaro pede autorização a Moraes para receber senadores em meio à disputa pelo comando do Senado

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou nesta quinta-feira (5 de novembro) um novo pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando autorização para receber em sua residência os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). A solicitação foi encaminhada pela defesa do ex-chefe do Executivo, que atualmente cumpre prisão domiciliar e depende de autorização judicial para receber visitantes não incluídos nas permissões existentes. O pedido ganhou repercussão nacional porque os dois parlamentares estão envolvidos diretamente na disputa pela presidência do Senado Federal, marcada para 1º de fevereiro de 2027. Enquanto Marinho teve sua candidatura oficialmente lançada pelo Partido Liberal, Tereza Cristina mantém a intenção de disputar o mesmo cargo, apesar das negociações para uma possível união entre representantes da direita e do centro político. O principal adversário dos dois é o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que trabalha para permanecer no comando do Senado. A movimentação demonstra que Bolsonaro continua sendo procurado como referência política por integrantes de seu grupo, mesmo afastado das atividades presenciais em Brasília. Entretanto, a solicitação ainda depende de decisão de Moraes, e não há confirmação de que os encontros tenham sido autorizados ou realizados.

De acordo com as informações divulgadas pela CNN Brasil e por outros veículos que tiveram acesso ao conteúdo da petição, os advogados de Bolsonaro solicitaram que as visitas sejam realizadas em datas definidas pelo próprio ministro Alexandre de Moraes. A defesa sugeriu preferência por encontros às terças, quartas ou quintas-feiras, dias em que normalmente ocorrem atividades parlamentares no Congresso Nacional. Os representantes jurídicos também se comprometeram a respeitar as condições de ingresso, fiscalização e segurança estabelecidas para a residência do ex-presidente. O documento não detalha oficialmente os assuntos que deverão ser tratados durante as conversas, embora o contexto político indique a possibilidade de discussões relacionadas à sucessão no Senado. A necessidade de autorização decorre das regras impostas ao cumprimento da pena de Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado investigada pela Justiça. Desde março de 2026, o ex-presidente cumpre a pena em regime domiciliar por razões humanitárias, após avaliação de suas condições de saúde. Essa modalidade de cumprimento da pena não elimina as restrições judiciais, incluindo o controle sobre visitas. Por isso, a realização dos encontros depende de uma manifestação do ministro responsável pela supervisão das medidas. A defesa já havia apresentado anteriormente uma solicitação específica para que Rogério Marinho visitasse Bolsonaro, mas o pedido ainda aguardava resposta quando a nova petição foi protocolada.

A disputa pela presidência do Senado se intensificou após o Partido Liberal oficializar, na quarta-feira (4), a candidatura de Rogério Marinho. Atual líder da oposição na Casa, o senador potiguar foi ministro do Desenvolvimento Regional durante o governo Bolsonaro e participou da coordenação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro. Marinho conta com apoio de integrantes da bancada conservadora e pretende construir uma maioria capaz de impedir a recondução de Davi Alcolumbre. O PL deverá iniciar a próxima legislatura com 29 senadores, tornando-se a maior bancada da instituição. Além disso, o Partido Novo, que terá três representantes, anunciou apoio à candidatura. Apesar dessa estrutura inicial, Marinho precisará ampliar suas alianças para alcançar os 41 votos necessários à eleição. O parlamentar afirmou acreditar que possui condições de conquistar apoio de representantes de outras legendas, incluindo integrantes do PP, Republicanos e partidos do centro político. Entretanto, a composição definitiva ainda está em negociação. A votação para a presidência do Senado é secreta, circunstância que dificulta a confirmação antecipada dos compromissos individuais. Por esse motivo, mesmo declarações públicas de apoio não asseguram que determinado candidato receberá os votos esperados. A candidatura de Marinho representa uma tentativa de transformar o crescimento eleitoral da oposição em maior influência sobre o funcionamento do Congresso Nacional.

Tereza Cristina também ocupa uma posição importante nessa disputa. Ex-ministra da Agricultura durante o governo de Jair Bolsonaro, a senadora pelo Mato Grosso do Sul é uma das principais lideranças do Progressistas e mantém influência entre parlamentares ligados ao agronegócio e a setores do centro político. Apesar de seu partido ter anunciado apoio institucional à recondução de Davi Alcolumbre, Tereza reafirmou o desejo de disputar a presidência do Senado e se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo. A situação cria uma divisão dentro do próprio campo político que pretende apresentar uma alternativa ao atual presidente. Rogério Marinho reconheceu a legitimidade da candidatura da colega e afirmou que ambos mantêm conversas para construir um entendimento antes da votação. Uma possibilidade mencionada nos bastidores seria estabelecer uma composição política em que um deles disputasse a eleição de 2027 e o outro recebesse apoio em um momento posterior. Entretanto, não existe confirmação de um acordo definitivo nesse sentido. A eventual reunião com Bolsonaro poderá contribuir para o diálogo entre os dois parlamentares, mas não há informação oficial de que o ex-presidente tenha solicitado os encontros especificamente para escolher um candidato ou determinar a retirada de alguma candidatura. A avaliação sobre os efeitos políticos da reunião dependerá das conversas efetivamente realizadas, caso sejam autorizadas.

Davi Alcolumbre acompanha as movimentações e também intensifica suas articulações para conquistar apoio suficiente à continuidade de sua gestão. O senador do Amapá mantém interlocução com integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representantes de partidos do centro e parlamentares que defendem a preservação do atual comando do Senado. A disputa envolve questões que ultrapassam a escolha do responsável por conduzir as sessões legislativas. O presidente da Casa possui influência sobre a organização das votações, a tramitação de determinadas propostas e o andamento de pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Esse último tema ganhou destaque durante a campanha eleitoral de outubro, quando integrantes da oposição criticaram Alcolumbre por não dar andamento a requerimentos relacionados a magistrados da Corte. Rogério Marinho defende mudanças na atuação institucional do Senado e afirma que pretende assegurar maior autonomia do Legislativo diante dos demais Poderes. Já os apoiadores de Alcolumbre destacam sua experiência na construção de acordos e sua capacidade de diálogo com diferentes forças políticas. Nesse cenário, o interesse de Bolsonaro em receber os dois senadores pode ser interpretado como uma tentativa de acompanhar pessoalmente as negociações de seu grupo político. Entretanto, essa interpretação não substitui a necessidade de verificar o conteúdo dos encontros, caso venham a ocorrer. A existência do pedido judicial não significa que decisões sobre candidaturas ou alianças já tenham sido tomadas.

A solicitação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal acrescenta um novo elemento à disputa pela presidência do Senado, que deverá continuar movimentando os bastidores de Brasília até fevereiro do próximo ano. A possível participação de Jair Bolsonaro nas articulações poderá ter influência entre parlamentares ligados ao Partido Liberal e a outras legendas que integram o campo conservador. Entretanto, o resultado da eleição dependerá da construção de uma maioria entre os 81 senadores, e não exclusivamente da posição manifestada pelo ex-presidente. Rogério Marinho e Tereza Cristina precisarão avaliar suas condições políticas, negociar apoios e decidir se apresentarão candidaturas separadas ou uma alternativa conjunta contra Davi Alcolumbre. Para o atual presidente, a permanência de mais de um adversário poderá representar uma vantagem, especialmente caso os votos contrários à sua recondução sejam divididos. Por outro lado, uma composição entre Marinho e Tereza poderá fortalecer a oposição e tornar a disputa mais competitiva. Antes de qualquer desdobramento, caberá a Alexandre de Moraes analisar a solicitação apresentada pela defesa e estabelecer se os encontros poderão ocorrer e sob quais condições. Não existe, até o momento, confirmação de uma decisão favorável ou contrária ao pedido apresentado nesta quinta-feira. Assim, o fato confirmado é que Bolsonaro solicitou autorização para receber dois nomes diretamente envolvidos na disputa pelo comando do Senado, enquanto permanecem indefinidas tanto a realização das visitas quanto as articulações políticas que poderão resultar desses encontros.