O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta sexta-feira (6) uma série de observações sobre a cobertura jornalística do governo durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética, realizada no Ministério de Minas e Energia. O presidente avaliou que os veículos de comunicação costumam dar mais destaque a fatos negativos do que às ações e resultados positivos da administração federal.
“Prefere criticar do que elogiar”, diz presidente
“Nós temos uma imprensa que talvez seja correto — não estou fazendo juízo de valor — mas ela prefere criticar do que elogiar”, declarou. Na avaliação do presidente, há uma tendência de dar mais espaço a notícias desfavoráveis em detrimento de conquistas ou avanços. “A gente olha muita futrica e muita notícia ruim, e coisa boa não se olha”, acrescentou. Segundo ele, parte dessa postura decorreria de uma preocupação dos profissionais de comunicação em não serem identificados como alinhados ao governo, o que os levaria a evitar reconhecer iniciativas positivas.
Sobre contas públicas e comparação internacional
O presidente também comentou a cobertura acerca da situação fiscal do país. Lula afirmou que o governo recebeu as contas públicas com um quadro de déficit e trabalha para entregar um cenário de equilíbrio, sem especificar, porém, a qual indicador se referia. Ressaltou que a gestão mantém o compromisso com a responsabilidade fiscal, mas que não pretende fazer com que a parcela mais vulnerável da população arque com os custos do ajuste. Ele mencionou ainda que o nível de endividamento público brasileiro em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é inferior ao de economias desenvolvidas como Estados Unidos, França, Japão e Itália, e questionou por que essa comparação não costuma ser destacada na cobertura jornalística.
Presidente questiona campanha sobre fome exibida na televisão
Em outro momento de sua fala, Lula citou uma campanha veiculada na televisão que aponta o número de 7 milhões de crianças em situação de fome no Brasil. Sem mencionar nominalmente a iniciativa, o presidente pediu que sejam verificadas a origem e a credibilidade dos dados apresentados. “Eu quero que vocês investiguem para saber quem é essa entidade que está sendo apoiada pela Globo. Quem está divulgando essa informação?”, questionou. Ele sugeriu que os números podem não corresponder à realidade, citando como contraponto a oferta de merenda escolar e os programas federais de segurança alimentar em curso.
Conheça a iniciativa mencionada pelo presidente
A descrição feita pelo presidente corresponde à campanha do Pacto Contra a Fome, lançada em setembro de 2026 em parceria com a agência Africa Creative. A iniciativa traz a mensagem: “Você sabe o que vai comer hoje? 7 milhões de brasileiros não”. O material foi veiculado em diferentes canais de comunicação, incluindo a Rede Globo como parceira de divulgação. A campanha não foi citada nominalmente pelo presidente durante seu pronunciamento, e ele não apresentou números alternativos para embasar sua contestação.
O que dizem os dados oficiais mais recentes
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2024, divulgada pelo IBGE, traz os dados mais atualizados sobre o tema. Segundo o levantamento, o número de pessoas vivendo em situação de insegurança alimentar grave — ou seja, fome — no Brasil caiu para 6,48 milhões, o que representa uma redução de 23,5% em relação aos 8,47 milhões registrados em 2023. O tema da segurança alimentar é complexo e pode ser mensurado por diferentes metodologias, o que pode gerar números distintos entre instituições de pesquisa.
Debate saudável fortalece a democracia
As declarações do presidente reacendem o debate sobre o papel da imprensa na sociedade. Por um lado, cabe aos veículos de comunicação exercer o acompanhamento crítico dos poderes públicos, apontando falhas, desafios e irregularidades quando identificadas. Por outro, é natural que gestores públicos tenham a perspectiva de que suas realizações mereçam visibilidade. O equilíbrio entre esses dois pontos de vista é fundamental para que a população tenha acesso a um painel completo de informações — tanto os avanços alcançados quanto os problemas que ainda precisam ser enfrentados pelo país.






