Declaração de Nunes Marques provoca reação de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a questionar a segurança do processo eleitoral brasileiro e criticou o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por reconhecer o resultado das eleições presidenciais. Em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, publicada neste sábado (7), o parlamentar afirmou que o magistrado “não sabe do que está falando” ao declarar que não houve fraude no pleito.

Flávio está nos Estados Unidos desde que deixou o Brasil, dois dias após a divulgação do resultado que confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante a conversa com o veículo norte-americano, o senador voltou a levantar suspeitas sobre a votação, mas, segundo a reportagem do Metrópoles, não apresentou provas que sustentassem suas alegações.

Questionado sobre o posicionamento de Nunes Marques, que reconheceu o resultado eleitoral, Flávio contestou a declaração do ministro. O magistrado foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador. Mesmo assim, Flávio afirmou que nem o presidente do TSE nem qualquer outra pessoa poderia garantir com 100% de certeza que não houve fraude nas eleições.

“Eu garanto a vocês que ele não sabe do que está falando. Nem eu, nem vocês, nem ninguém que esteja assistindo, nem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral pode afirmar com 100% de certeza que não houve fraude”, declarou o parlamentar ao jornal.

Para reforçar seu argumento, Flávio mencionou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o republicano concordava com sua avaliação sobre o processo eleitoral brasileiro. Trump já havia feito declarações questionando as eleições no Brasil, classificando o pleito como uma fraude e uma vergonha, embora, segundo a reportagem, tenha evitado manifestações mais incisivas sobre o assunto.

O senador também declarou que Trump estaria convencido de que o Brasil deixou de ser uma democracia plena. Ao explicar sua permanência nos Estados Unidos, Flávio comparou a situação do país com a de seu pai e afirmou que escolheu o território norte-americano porque, em sua avaliação, as instituições brasileiras não oferecem as mesmas garantias. Segundo ele, nos Estados Unidos, “as instituições ainda funcionam”.

Durante a entrevista, o parlamentar traçou paralelos entre as trajetórias de Donald Trump e Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que os dois líderes alegaram a existência de fraude generalizada nas eleições que perderam e enfrentaram acusações relacionadas à incitação de tentativas de insurreição violenta, além de outros processos criminais.

Ao fazer a comparação, o senador destacou que, apesar das semelhanças que apontou, apenas um dos dois foi preso, enquanto o outro conseguiu retornar ao poder. A declaração foi utilizada para justificar sua avaliação sobre as diferenças entre a situação política e judicial dos dois países.

Outro ponto abordado pelo The Washington Post foi a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. O senador se recusou a explicar como deixou o território brasileiro após a derrota eleitoral. Em entrevista anterior ao The New York Times, ele também havia evitado revelar detalhes sobre o trajeto, afirmando que levaria essas informações para o túmulo.

Flávio deixou o país dois dias depois do resultado das eleições que garantiram a reeleição de Lula para um quarto mandato. O senador é investigado em diferentes inquéritos por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. As investigações mencionadas pela reportagem não representam, por si só, uma condenação pelas acusações.

A nova entrevista amplia as manifestações públicas de Flávio sobre a eleição brasileira e sua permanência nos Estados Unidos. Ao criticar Nunes Marques, o senador contestou o reconhecimento institucional do resultado eleitoral e voltou a questionar a legitimidade do processo, sem apresentar elementos que comprovassem a existência de fraude. O ministro, por sua vez, havia reconhecido o resultado das urnas.