Morre Sebastián Lelio, diretor vencedor do Oscar, aos 52 anos

O cinema internacional recebeu uma notícia triste nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026. O cineasta chileno Sebastián Lelio morreu aos 52 anos, em Santiago, no Chile. Conhecido mundialmente pelo trabalho em “Uma Mulher Fantástica”, produção que conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2018, ele construiu uma carreira marcada por histórias sensíveis, personagens complexos e temas que provocaram importantes reflexões sociais.

A confirmação do falecimento foi feita por sua companheira, a atriz Amalia Kassai, por meio de uma publicação nas redes sociais. Em comunicado, a família informou que a morte ocorreu por motivos de saúde, mas não apresentou detalhes sobre as circunstâncias. Os familiares também pediram respeito à privacidade neste período de luto.

A notícia repercutiu rapidamente entre profissionais do cinema, admiradores e veículos de comunicação de diferentes países. Não era para menos. Lelio estava entre os nomes mais reconhecidos da produção cinematográfica chilena contemporânea e ajudou a ampliar a presença do cinema latino-americano nos principais eventos internacionais.

Nascido em 8 de março de 1974, na cidade de Mendoza, na Argentina, Sebastián Lelio mudou-se ainda criança para o Chile, onde cresceu e desenvolveu sua relação com a arte. Antes de encontrar seu caminho no cinema, chegou a estudar jornalismo por um período. Posteriormente, ingressou na formação cinematográfica e começou a construir sua trajetória como diretor e roteirista.

Seus primeiros trabalhos foram realizados em formatos menores, incluindo curtas-metragens. Em 2006, apresentou “A Família Sagrada”, seu primeiro longa-metragem, que chamou a atenção em festivais e abriu espaço para novos projetos. Nos anos seguintes, lançou produções como “Navidad” e “O Ano do Tigre”, ampliando sua experiência atrás das câmeras.

Um dos primeiros grandes momentos de reconhecimento internacional aconteceu em 2013, com o filme “Gloria”. Estrelado pela atriz Paulina García, o longa acompanha uma mulher madura que decide aproveitar uma nova fase da vida, mesmo diante das dificuldades dos relacionamentos e das mudanças pessoais. A produção recebeu elogios da crítica e conquistou destaque no Festival de Berlim, onde García recebeu o Urso de Prata de Melhor Atriz.

Entretanto, foi com “Uma Mulher Fantástica”, lançado em 2017, que Lelio alcançou uma dimensão ainda maior. O filme apresenta a história de Marina, interpretada por Daniela Vega, uma mulher trans que precisa enfrentar preconceitos e dificuldades após perder seu companheiro.

A produção chamou a atenção pela maneira cuidadosa como abordou identidade, respeito, afeto e dignidade. O trabalho recebeu reconhecimento em diferentes festivais e conquistou o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira na cerimônia de 2018, tornando-se uma referência importante para o cinema chileno.

A conquista representou um momento especial para a indústria audiovisual do país. Além de colocar o nome de Lelio entre os diretores de destaque mundial, o prêmio abriu ainda mais espaço para que produções latino-americanas fossem observadas por públicos que nem sempre tinham contato com essas histórias.

Depois desse reconhecimento, o cineasta também desenvolveu projetos em inglês. Entre eles estão “Desobediência”, com Rachel Weisz e Rachel McAdams, e “Gloria Bell”, uma nova versão de sua produção anterior, protagonizada por Julianne Moore.

Outro trabalho importante foi “O Milagre”, lançado em 2022 e estrelado por Florence Pugh. Inspirado no romance de Emma Donoghue, o longa apresentou uma narrativa de época que explorava fé, comportamento humano e os limites entre crença e realidade.

Em 2025, Lelio voltou a chamar atenção com “A Onda”, produção musical inspirada nas mobilizações feministas realizadas por estudantes universitárias no Chile. O projeto demonstrou novamente sua disposição para experimentar diferentes formatos e abordar acontecimentos sociais por meio da linguagem cinematográfica.

Mesmo depois de alcançar reconhecimento internacional, o diretor continuava envolvido em novos projetos. Um deles era a adaptação de “Poeta Chileno”, obra do escritor Alejandro Zambra. As gravações haviam começado em setembro de 2026, mostrando que Lelio permanecia ativo e interessado em explorar novas histórias.

Sua partida interrompe uma trajetória que ainda tinha muito a oferecer ao cinema. Mais do que os prêmios conquistados, porém, fica uma filmografia que procurou apresentar diferentes perspectivas sobre a sociedade, os relacionamentos e a experiência humana.

A contribuição de Sebastián Lelio para a cultura chilena ultrapassou as fronteiras de seu país. Seus filmes chegaram a festivais importantes, conquistaram espectadores em diferentes continentes e ajudaram a fortalecer o espaço do cinema latino-americano no cenário mundial.

Aos 52 anos, o cineasta deixa uma obra reconhecida internacionalmente e personagens que continuarão presentes na memória do público. Seu trabalho permanece como parte importante da história recente do cinema e como lembrança de uma carreira dedicada a contar histórias que merecem ser vistas e discutidas.