A televisão brasileira se despediu nesta sexta-feira (6) de um dos profissionais que ajudaram a construir sua história. Nilton Travesso, diretor responsável por produções que marcaram diferentes gerações de telespectadores, morreu aos 92 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês e, segundo as informações divulgadas, faleceu em decorrência de uma infecção generalizada. A notícia foi confirmada pelo SBT, emissora na qual comandou projetos de grande repercussão, como as novelas Éramos Seis e Chiquititas, além do programa infantil Bom Dia & Cia. Sua partida representa uma perda importante para o meio artístico e para profissionais que acompanharam sua trajetória ao longo de décadas.
Com uma carreira iniciada em 1953, na TV Record, Nilton Travesso acompanhou de perto as transformações da televisão no Brasil. Naquele período, o veículo ainda dava seus primeiros passos e começava a conquistar espaço na rotina das famílias brasileiras. Ao longo dos anos, o diretor participou de produções que ajudaram a definir formatos, estilos e maneiras de apresentar conteúdos ao público. Seu trabalho passou por diferentes gêneros, incluindo programas de auditório, humor, atrações musicais, jornalismo e teledramaturgia.
Entre os projetos que tiveram sua participação estão atrações que se tornaram referências em suas respectivas épocas. Nilton esteve ligado a programas como Hebe, Família Trapo e Jovem Guarda, produções que ajudaram a consolidar nomes importantes do entretenimento nacional. Sua experiência também chegou à TV Globo, onde teve participação relevante no desenvolvimento da linguagem audiovisual do Fantástico. Além disso, trabalhou em projetos como TV Mulher, Balão Mágico e Som Brasil, ampliando sua contribuição para diferentes públicos e formatos televisivos.
A passagem pelo SBT foi um dos capítulos mais conhecidos de sua carreira. Na emissora fundada por Silvio Santos, Nilton participou do fortalecimento da programação infantil e da produção de novelas que conquistaram espaço entre os telespectadores. Entre seus trabalhos estavam atrações associadas a apresentadoras populares, como Eliana, Angélica e Mara Maravilha. Sua atuação ajudou a construir uma programação que marcou a infância de milhões de brasileiros e permanece presente na memória de quem acompanhou a televisão nas décadas de 1990 e 2000.
Um dos trabalhos mais reconhecidos do diretor foi o remake de Éramos Seis, exibido em 1994. A produção contou com Irene Ravache e Othon Bastos nos papéis principais e conquistou reconhecimento do público e da crítica. A novela se destacou pela narrativa familiar e pela interpretação do elenco, tornando-se uma das produções importantes da teledramaturgia do SBT. O trabalho recebeu premiações, entre elas o Troféu Imprensa e o reconhecimento da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), reforçando a importância daquele projeto na história da emissora.
Nilton também esteve à frente de outras novelas que conquistaram espaço na programação brasileira. Entre elas estão Chiquititas, Pérola Negra, As Pupilas do Senhor Reitor e Sangue do Meu Sangue. Cada produção apresentou desafios diferentes e exigiu do diretor experiência para coordenar equipes, orientar atores e organizar a construção das cenas. Em Chiquititas, por exemplo, o universo infantil e musical teve papel central na identificação do público com a história, transformando a novela em um fenômeno entre crianças e adolescentes.
A trajetória de Nilton não ficou restrita ao trabalho nos estúdios. Sua experiência acumulada ao longo de décadas também contribuiu para a formação de profissionais e para a evolução das produções televisivas. Como diretor, participou de mudanças na linguagem dos programas, acompanhou a chegada de novas tecnologias e trabalhou com diferentes gerações de artistas e apresentadores. Essa capacidade de transitar entre formatos e emissoras fez com que seu nome permanecesse associado a momentos importantes da televisão brasileira.
Em 2004, ele voltou ao SBT para participar de novos projetos, mantendo sua ligação com a emissora e com profissionais com quem havia trabalhado anteriormente. Já em 2024, integrou o documentário Silvio Santos, Vale Mais do que Dinheiro, produção que resgatou aspectos da trajetória do apresentador e empresário responsável pela criação do canal. A participação demonstrou que, mesmo depois de tantos anos de carreira, Nilton continuava ligado à história e à memória da televisão nacional.
Após a confirmação da morte, o SBT divulgou uma homenagem destacando a dedicação, a amizade e a parceria construídas pelo diretor ao longo de sua passagem pela emissora. A nota também ressaltou que sua trajetória continuará servindo de referência para profissionais que desejam seguir carreira na direção de televisão. A manifestação reforçou o reconhecimento de uma instituição que teve participação importante em alguns dos trabalhos mais conhecidos de Nilton.
O diretor deixa a esposa, a jornalista Marilu Torres, e o filho, Marcelo Travesso, que também atua na área de direção de televisão. A família, os amigos e os colegas de profissão recebem manifestações de carinho após a notícia. A morte de Nilton representa o encerramento de uma trajetória profissional que atravessou diferentes fases da comunicação brasileira, desde os primeiros anos da televisão até as produções mais recentes.
Seu legado permanece nas novelas, nos programas de entretenimento e nas atrações que fizeram parte da rotina de milhões de pessoas. Para muitos telespectadores, os trabalhos dirigidos por Nilton Travesso estão associados a lembranças da infância, momentos em família e personagens que marcaram época. Mais do que comandar produções de sucesso, ele participou da construção de uma linguagem televisiva que ajudou a transformar o entretenimento no Brasil. Aos 92 anos, deixa uma contribuição que continuará sendo lembrada por quem viveu e acompanhou a história da televisão brasileira.






