Polícia revela o que Eric fez dentro do apartamento e choca investigadores

A investigação sobre as mortes da advogada Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e de seu filho, Raphael, de apenas seis anos, ganhou novos detalhes após a Polícia Civil analisar o apartamento onde os dois foram encontrados, em Cotia, na Grande São Paulo. Segundo os investigadores, o imóvel apresentava sinais de organização e limpeza, incluindo pratos lavados, chão limpo e cama arrumada. A apuração também identificou incensos acesos nas proximidades da porta do quarto. Para a polícia, esses elementos podem ajudar a esclarecer o que aconteceu depois das mortes e a reconstruir os últimos momentos das vítimas no local.

O empresário Eric Conrado Alves de Almeida, apontado como principal suspeito, teria organizado o apartamento antes de deixar o condomínio, conforme a linha investigativa apresentada pelas autoridades. A delegada Mônica Gamboa informou que os incensos foram encontrados perto da entrada do quarto. Uma das hipóteses consideradas pelos investigadores é que o recurso tenha sido utilizado para tentar disfarçar o odor no ambiente. Essa possibilidade, no entanto, integra o conjunto de elementos que ainda precisam ser analisados durante a apuração.

Outro detalhe foi apresentado pelo delegado José de Godoy, que destacou os sinais de limpeza encontrados no imóvel. Segundo ele, havia pratos lavados, o piso havia sido limpo e a cama estava organizada. A avaliação dos policiais é que essas condições merecem atenção porque podem indicar uma tentativa de modificar a aparência do apartamento antes da saída do suspeito. A perícia e os demais levantamentos deverão ajudar a determinar a sequência dos acontecimentos e a relevância de cada vestígio encontrado.

As imagens das câmeras de segurança do condomínio também passaram a ocupar um papel importante na investigação. Os registros mostram Eric chegando ao local acompanhado de Anna Gabriela e Raphael na noite de domingo (1º). Já durante a madrugada seguinte, ele aparece deixando o condomínio sozinho. A sequência permite aos investigadores estabelecer uma referência sobre a entrada e a saída dos envolvidos, além de delimitar o período em que permaneceram no apartamento.

Apesar da importância das gravações, os horários registrados não são suficientes, por si só, para determinar o momento exato em que ocorreram as mortes. Para esclarecer esse ponto, a Polícia Civil depende de exames periciais e de outros elementos reunidos durante a investigação. A análise técnica deverá contribuir para estabelecer a cronologia do caso, verificar possíveis alterações no imóvel e confrontar as informações obtidas com os depoimentos e registros disponíveis.

Os corpos de Anna e Raphael foram encontrados na noite de terça-feira (3). A localização ocorreu depois que um escritório de advocacia recebeu uma ligação atribuída ao empresário, com informações sobre o endereço onde as vítimas estavam. A partir desse contato, as autoridades chegaram ao apartamento e iniciaram os procedimentos de investigação. O caso passou a mobilizar equipes policiais e peritos, que trabalham para esclarecer as circunstâncias das duas mortes.

Eric foi preso na quarta-feira (4), e sua prisão temporária foi mantida pela Justiça após a realização da audiência de custódia. De acordo com as informações divulgadas, o empresário negou participação nas mortes. A manutenção da prisão permite que a investigação prossiga com o suspeito sob custódia durante o período determinado judicialmente, enquanto as autoridades buscam reunir elementos para esclarecer os fatos. A responsabilidade criminal, entretanto, deverá ser estabelecida conforme o andamento do processo e as provas produzidas.

A perícia também trabalha para identificar a causa e a dinâmica dos óbitos. Segundo a Polícia Civil, os corpos apresentavam marcas na região do pescoço compatíveis com esganadura. Essa informação representa um dado inicial da investigação, mas a confirmação das circunstâncias depende dos exames técnicos. Os laudos poderão fornecer informações importantes sobre as causas das mortes e contribuir para esclarecer como os acontecimentos se desenvolveram dentro do apartamento.

Outro aspecto considerado pelos investigadores envolve o relacionamento entre Anna Gabriela e Eric. Luciana Gaston, amiga da advogada, relatou que Anna teria decidido encerrar a relação aproximadamente um mês antes do caso. Segundo a amiga, o empresário não aceitava o término. O depoimento passou a integrar o contexto analisado pela polícia, que busca compreender as circunstâncias pessoais que antecederam as mortes e verificar se existem outros elementos que confirmem ou esclareçam essa informação.

Luciana também mencionou a possibilidade de que o caso tenha sido planejado antecipadamente. Essa avaliação, porém, corresponde ao relato da amiga e não representa uma conclusão oficial sobre a investigação. Para confirmar ou descartar a hipótese, os policiais precisam reunir evidências, analisar os registros disponíveis e confrontar os depoimentos com os resultados da perícia. A apuração segue considerando diferentes possibilidades, sem que as declarações individuais sejam tratadas como prova definitiva.

O caso é investigado como feminicídio e vicaricídio, classificação relacionada à morte de uma mulher em contexto de violência de gênero e à morte de uma pessoa próxima utilizada para atingir essa mulher. A investigação busca esclarecer as circunstâncias específicas das mortes de Anna e Raphael e identificar todos os elementos necessários para a responsabilização criminal, caso as suspeitas sejam confirmadas.

Enquanto os trabalhos continuam, os detalhes encontrados no apartamento, as imagens de segurança e os depoimentos reunidos ajudam a compor a linha do tempo do caso. A Polícia Civil ainda precisa concluir os exames e avaliar o conjunto das provas para esclarecer o que aconteceu entre a chegada da família ao condomínio e a descoberta dos corpos. Até a conclusão das investigações e das etapas judiciais, as informações sobre a participação do suspeito devem ser tratadas como alegações em apuração, respeitando o direito à defesa e a presunção de inocência.