Alcolumbre enfrenta resistência de dois senadores do Amapá na disputa pela presidência do Senado

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enfrenta um novo obstáculo em sua tentativa de permanecer no comando da Casa a partir de fevereiro de 2027. Dois parlamentares de seu próprio estado, Lucas Barreto (PSD) e Rayssa Furlan (Podemos), sinalizaram que não pretendem apoiar sua recondução e demonstraram disposição para votar em uma candidatura de oposição. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (4 de novembro) pelo Jornal da Cidade Online e também aparece em apurações sobre as articulações políticas para a próxima legislatura. Segundo os relatos, os dois representantes do Amapá consideram apoiar Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS), nomes que disputam espaço entre os parlamentares contrários à continuidade de Alcolumbre na presidência. A movimentação chama atenção porque demonstra que o senador amapaense poderá enfrentar resistência até mesmo entre seus colegas de bancada estadual. Embora o episódio represente uma dificuldade para suas articulações políticas, ainda não existe uma contagem oficial de votos capaz de determinar o resultado da eleição. A escolha do próximo presidente do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027 e exigirá pelo menos 41 votos favoráveis entre os 81 integrantes da Casa.

A oposição de Lucas Barreto e Rayssa Furlan está relacionada ao cenário político do Amapá, onde o grupo liderado por Davi Alcolumbre sofreu derrotas importantes nas eleições de outubro. Lucas conquistou a reeleição para o Senado com 213.948 votos, correspondentes a 24,22% dos votos válidos, enquanto Rayssa recebeu 264.799 votos, equivalentes a 29,98%. Os dois foram eleitos em uma articulação política associada ao grupo do governador eleito Antônio Furlan, conhecido como Dr. Furlan, que derrotou o então governador Clécio Luís, apoiado por Alcolumbre. A vitória de Furlan no primeiro turno, com 62,75% dos votos válidos, representou uma mudança significativa na distribuição de forças políticas do estado. Outro resultado importante foi a derrota de Randolfe Rodrigues (PT), que buscava a reeleição ao Senado e terminou a disputa na terceira colocação, com 163.857 votos. A candidata Alliny Serrão, do União Brasil, também não conseguiu conquistar uma das duas vagas disponíveis. Com isso, os principais candidatos apoiados pelo grupo político de Alcolumbre foram derrotados nas disputas pelo governo estadual e pelo Senado. O resultado fortaleceu seus adversários locais e criou dificuldades adicionais para a construção de alianças em Brasília.

A rivalidade entre Alcolumbre e o grupo político de Antônio Furlan não começou nas eleições de 2026. Em 2020, Furlan venceu Josiel Alcolumbre, irmão do presidente do Senado, na disputa pela Prefeitura de Macapá, iniciando um período de crescimento de sua influência política na capital amapaense. Dois anos depois, Rayssa Furlan disputou uma vaga no Senado contra Davi Alcolumbre e recebeu aproximadamente 174 mil votos, ficando atrás do parlamentar, que conquistou a reeleição com cerca de 196 mil votos. A diferença relativamente pequena demonstrou que o grupo adversário já apresentava capacidade de competir com uma das principais lideranças políticas do estado. Em 2026, a situação se modificou com a vitória de Antônio Furlan para o governo estadual e a eleição de sua esposa ao Senado. Lucas Barreto também consolidou sua posição entre os aliados desse campo político. Agora, essa rivalidade estadual poderá produzir consequências diretas na disputa pelo comando do Congresso Nacional. A sinalização de que os dois senadores não apoiarão Alcolumbre representa uma extensão das divergências existentes no Amapá, embora a decisão sobre a presidência do Senado também envolva interesses partidários e institucionais mais amplos.

A situação se torna ainda mais delicada porque o Partido Liberal oficializou, na quarta-feira (4), a candidatura de Rogério Marinho à presidência do Senado. O parlamentar potiguar é líder da oposição e participou da coordenação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro. Durante o anúncio, Marinho afirmou que pretende fortalecer a independência do Senado e ampliar sua atuação diante de possíveis irregularidades envolvendo autoridades públicas. O PL terá a maior bancada da Casa a partir de fevereiro, com 29 senadores, conforme projeção divulgada pela Agência Senado. A legenda também conta com o apoio do Novo, que terá três representantes. Entretanto, mesmo com essas adesões, a candidatura precisará conquistar votos de outros partidos para alcançar a maioria absoluta. Nesse cenário, a posição atribuída a Lucas Barreto e Rayssa Furlan poderá contribuir para ampliar o grupo de parlamentares contrários à recondução de Alcolumbre. Ao mesmo tempo, a senadora Tereza Cristina mantém sua intenção de disputar a presidência e busca apoio entre representantes do centro e da centro-direita. Embora Marinho tenha mencionado a existência de um entendimento para evitar uma divisão definitiva entre os dois, ainda não houve anúncio de uma candidatura única. A permanência de ambos na disputa poderá favorecer Alcolumbre, caso os votos de seus adversários fiquem fragmentados.

Apesar das dificuldades, Davi Alcolumbre mantém uma estrutura importante de apoio político. O presidente do Senado recebeu manifestações favoráveis de integrantes da base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, além de contar com o respaldo anunciado pelas direções do União Brasil e do Progressistas. A Federação União Progressista divulgou, em outubro, uma nota defendendo a continuidade de Alcolumbre, argumentando que sua permanência contribuiria para a estabilidade institucional e para a construção de acordos entre diferentes forças políticas. Entretanto, a posição das direções partidárias não assegura o comportamento individual dos parlamentares durante a votação. O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), por exemplo, já declarou que não pretende apoiar o atual presidente, contrariando a orientação anunciada por sua legenda. Além disso, Rogério Marinho defende que integrantes da oposição tornem públicas suas preferências antes da eleição, como forma de reduzir possíveis mudanças de posicionamento durante o voto secreto. A disputa também envolve debates sobre o funcionamento do Supremo Tribunal Federal e os pedidos de impeachment apresentados contra ministros da Corte. Setores conservadores criticam a atuação de Alcolumbre na condução desses requerimentos, enquanto seus aliados defendem sua capacidade de negociação e o compromisso com o equilíbrio entre os Poderes.

Com a aproximação da posse dos novos senadores, marcada para fevereiro de 2027, a disputa pela presidência da Casa deverá continuar mobilizando lideranças partidárias e representantes de diferentes regiões do país. A resistência de Lucas Barreto e Rayssa Furlan demonstra que Alcolumbre não conta com apoio automático dos parlamentares de seu estado, mesmo ocupando atualmente uma das posições mais influentes da política brasileira. Entretanto, os dois votos não determinam isoladamente o resultado da eleição, que dependerá de uma ampla articulação entre os 81 integrantes do Senado. A definição também será influenciada pela capacidade de Rogério Marinho e Tereza Cristina de construir uma estratégia comum, evitando que a divisão entre candidaturas oposicionistas facilite a recondução do atual presidente. Alcolumbre, por sua vez, deverá intensificar as negociações com partidos do centro e buscar apoios individuais, inclusive entre parlamentares que integram bancadas oficialmente contrárias à sua candidatura. A votação secreta acrescenta incerteza ao processo, pois permite que o resultado seja diferente das projeções divulgadas antecipadamente. Em fevereiro de 2025, Alcolumbre foi eleito presidente com 73 votos, demonstrando ampla capacidade de articulação naquele momento. O cenário de 2027, entretanto, será diferente, com crescimento da oposição e renovação significativa do Senado. Por enquanto, a principal novidade é que o presidente da Casa enfrenta resistência de dois representantes do Amapá, circunstância que poderá dificultar sua tentativa de permanecer no cargo. O desfecho dependerá das negociações realizadas até a votação e da capacidade dos candidatos de transformar declarações de apoio em votos efetivos.