Rogério Marinho reúne 33 senadores e amplia articulação contra Alcolumbre na disputa pelo Senado

O senador Rogério Marinho (PL-RN) oficializou sua candidatura à presidência do Senado Federal na quarta-feira (4 de novembro), durante uma reunião em Brasília que contou com a presença de aproximadamente 33 parlamentares. O encontro marcou uma nova etapa da articulação da oposição para impedir a permanência de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no comando da Casa a partir de fevereiro de 2027. Marinho recebeu o apoio do Partido Liberal e de representantes de outras legendas, incluindo Novo, Progressistas e Republicanos, ampliando as negociações para conquistar a maioria necessária à eleição. A movimentação acontece depois do fortalecimento da direita nas eleições de outubro, quando o PL conquistou a maior bancada do Senado para a próxima legislatura. Durante o anúncio, o parlamentar afirmou que pretende trabalhar para recuperar a independência institucional da Casa e ampliar sua capacidade de fiscalizar o Executivo e o Judiciário. Apesar da presença expressiva de senadores no encontro, ainda não existe confirmação de que todos tenham assumido um compromisso definitivo de voto. A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027 e será realizada por votação secreta, circunstância que mantém o resultado indefinido mesmo diante das projeções divulgadas pelos diferentes grupos políticos.

A candidatura de Rogério Marinho surge em um cenário considerado favorável pela oposição, que pretende transformar o crescimento eleitoral da direita em maior influência sobre as decisões do Congresso Nacional. Segundo levantamento atualizado da Agência Senado, o Partido Liberal deverá iniciar a próxima legislatura com 29 representantes, tornando-se a maior bancada da Casa. O Novo, que anunciou apoio formal à candidatura, contará com três senadores, elevando para 32 o número de parlamentares das duas legendas. Entretanto, para conquistar a presidência do Senado, Marinho precisará receber pelo menos 41 votos, considerando a participação dos 81 integrantes da instituição. Por esse motivo, a estratégia envolve ampliar o diálogo com representantes do PP, Republicanos, MDB, Podemos e PSD, além de buscar apoio individual entre parlamentares de outras siglas. Na reunião de quarta-feira, integrantes desses grupos participaram das articulações e demonstraram disposição para discutir uma alternativa ao atual presidente. Durante entrevista coletiva, Marinho afirmou considerar possível alcançar uma maioria superior ao número mínimo exigido. O senador declarou acreditar que já possui mais de 40 votos, embora a estimativa ainda dependa da confirmação dos compromissos assumidos. A diferença entre projeções políticas e votos efetivamente registrados será decisiva para determinar o resultado da disputa.

Um dos principais desafios da oposição será construir um entendimento entre Rogério Marinho e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também demonstrou interesse em disputar a presidência do Senado. Ex-ministra da Agricultura durante o governo de Jair Bolsonaro, Tereza mantém influência entre parlamentares ligados ao agronegócio e possui capacidade de diálogo com representantes do centro político. Sua eventual candidatura poderia atrair senadores que desejam uma mudança no comando da Casa, mas que apresentam resistência ao nome de Marinho. Entretanto, a existência de duas candidaturas de oposição também poderia dividir os votos e favorecer a continuidade de Alcolumbre. Durante a coletiva de imprensa, Marinho afirmou que mantém conversas com Tereza e acredita na possibilidade de construir um entendimento antes da eleição. Segundo o parlamentar, ambos compartilham preocupações sobre a necessidade de fortalecer o Senado e ampliar sua autonomia institucional. O senador evitou confirmar rumores sobre um possível acordo de alternância na presidência, no qual um dos dois concorreria em 2027 e o outro receberia apoio para uma eleição futura. A definição deverá ocorrer nas próximas semanas, especialmente porque Tereza mantém sua disposição de disputar o cargo. Para integrantes da oposição, apresentar um nome único representa uma estratégia importante para evitar a fragmentação dos apoios conquistados.

Outro ponto de destaque no discurso de Rogério Marinho foi sua posição sobre o relacionamento entre o Senado Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar afirmou que pretende assegurar o exercício das competências constitucionais do Legislativo e criticou o que considera interferências indevidas de integrantes do Judiciário nas decisões políticas da Casa. Marinho também declarou que, caso seja eleito, não pretende deixar de analisar denúncias fundamentadas de crimes de responsabilidade eventualmente apresentadas contra ministros do Supremo. Entretanto, ressaltou que sua candidatura não foi construída exclusivamente em torno da defesa de processos de impeachment. Segundo ele, o objetivo é assegurar que todos os procedimentos sejam conduzidos conforme a Constituição, independentemente das autoridades envolvidas. O senador também defendeu a possibilidade de tramitação de projetos relacionados à anistia de condenados pelos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Para Marinho, propostas dessa natureza devem ser submetidas ao debate e à votação dos parlamentares, respeitando as regras legislativas. O posicionamento representa uma diferença em relação à condução defendida por Alcolumbre, que tem sido alvo de críticas de setores conservadores pela maneira como administra pedidos de impeachment e discussões consideradas prioritárias pela oposição. Ainda assim, a eventual eleição de Marinho não significaria aprovação automática de anistia ou abertura imediata de processos contra ministros do STF.

Davi Alcolumbre, por sua vez, mantém uma estrutura importante de apoio político e trabalha para conquistar votos suficientes para permanecer na presidência do Senado. O parlamentar recebeu manifestações favoráveis de integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do respaldo anunciado pelas direções do União Brasil e do PP, partidos integrantes da Federação União Progressista. Entretanto, a posição das cúpulas partidárias não garante que todos os senadores sigam a mesma orientação durante a votação. Parlamentares como Guilherme Derrite (PP-SP) já demonstraram resistência à recondução de Alcolumbre, enquanto outros integrantes do centro político mantêm negociações com diferentes grupos. O atual presidente também procura ampliar sua interlocução com setores do próprio PL. Nesta quinta-feira (5), veio a público a escolha do senador Eduardo Gomes (PL-TO) para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, uma função relevante na discussão sobre as prioridades fiscais do próximo ano. A indicação ocorre em meio às articulações pela presidência e poderá fortalecer a aproximação de Alcolumbre com parlamentares da ala mais moderada da legenda. Ao mesmo tempo, Marinho defende que os senadores anunciem publicamente suas preferências, mesmo que a votação continue sendo secreta. A iniciativa busca reduzir a possibilidade de mudanças de posicionamento entre parlamentares que tenham declarado apoio à oposição.

A disputa pelo comando do Senado deverá permanecer entre os principais assuntos políticos de Brasília até fevereiro de 2027. Rogério Marinho aposta no crescimento da bancada conservadora e na insatisfação de parlamentares com a atuação de Davi Alcolumbre para construir uma maioria capaz de modificar a direção da Casa. O encontro com aproximadamente 33 senadores demonstrou capacidade de mobilização, mas ainda não representa uma vitória antecipada. A oposição precisa conquistar apoios adicionais, consolidar os compromissos políticos e solucionar as divergências relacionadas à possível candidatura de Tereza Cristina. Alcolumbre, por sua vez, utiliza sua experiência na Presidência do Senado e suas relações com diferentes partidos para tentar preservar uma maioria parlamentar. O histórico recente mostra que a escolha do presidente pode produzir resultados diferentes das expectativas iniciais. Em 2023, Marinho disputou o cargo contra Rodrigo Pacheco e recebeu 32 votos, enquanto seu adversário conquistou 49. Dois anos depois, Alcolumbre foi eleito com ampla maioria, alcançando 73 votos. Agora, a renovação do Senado e o crescimento do PL criaram um ambiente político diferente, no qual a oposição acredita possuir condições mais favoráveis para disputar o comando da instituição. Entretanto, os números apresentados pelos candidatos ainda são projeções sujeitas a mudanças. O resultado dependerá das negociações realizadas até a votação e da capacidade dos grupos políticos de transformar manifestações de apoio em votos efetivos. Até lá, a reunião organizada por Marinho representa um passo importante de sua candidatura, mas não determina o desfecho da eleição.