Desenhos bíblicos da Record passam por mudança na classificação indicativa e decisão chama atenção

Uma decisão do Ministério da Justiça envolvendo uma das atrações infantis da Record chamou a atenção do público e gerou questionamentos sobre os critérios utilizados para avaliar conteúdos destinados às crianças. O programa Record Kids – Desenhos Bíblicos teve sua classificação indicativa alterada, passando de livre para não recomendado para menores de 12 anos.

A mudança foi formalizada por meio de uma portaria publicada no Diário Oficial da União no fim de outubro de 2026. O documento apresenta os motivos considerados pelas autoridades para a atualização da classificação e também estabelece uma recomendação relacionada ao horário de exibição da atração na televisão aberta.

O assunto despertou interesse principalmente porque o programa reúne animações inspiradas em histórias bíblicas, um conteúdo frequentemente associado ao público infantil e ao ambiente familiar. Por esse motivo, a alteração levantou dúvidas entre pais, responsáveis e telespectadores que acompanham a programação da emissora.

De acordo com a decisão do Ministério da Justiça, a nova classificação considera a presença de elementos que podem exigir maior atenção dos responsáveis. Entre os critérios apontados estão referências a atos criminosos, drogas lícitas, violência e situações relacionadas a estigma ou preconceito.

Esses fatores fazem parte dos parâmetros utilizados pelo sistema brasileiro de classificação indicativa, que avalia diferentes aspectos de produções audiovisuais. A análise não se limita ao gênero de uma obra ou ao seu propósito educativo e religioso. Também são observadas as situações apresentadas nas histórias, a maneira como determinados acontecimentos são representados e o possível impacto do conteúdo sobre diferentes faixas etárias.

No caso das animações bíblicas, algumas narrativas retratam conflitos, disputas, punições e episódios marcados por comportamentos violentos. Embora essas histórias façam parte de passagens conhecidas da tradição religiosa, sua representação em produções audiovisuais também pode ser considerada durante a avaliação técnica.

A classificação indicativa, portanto, leva em conta aquilo que efetivamente aparece na tela, independentemente de a produção ter inspiração religiosa, educativa ou de entretenimento.

Além da mudança para maiores de 12 anos, o Ministério da Justiça recomendou que a atração seja exibida a partir das 20h na televisão aberta. A orientação faz parte das medidas relacionadas à adequação da programação à faixa etária indicada.

É importante destacar que a classificação indicativa possui caráter orientativo. Isso significa que a atualização não representa automaticamente uma proibição de exibição dos desenhos em horários anteriores, nem determina que a emissora retire a atração de sua grade. A responsabilidade dos pais e responsáveis continua sendo considerada importante na escolha dos conteúdos consumidos por crianças e adolescentes.

A decisão também reacende uma discussão sobre os critérios utilizados para classificar produções destinadas ao público infantil. Muitas animações apresentam histórias que envolvem personagens enfrentando situações difíceis, conflitos e acontecimentos que podem ser interpretados de maneiras diferentes conforme a idade de quem assiste.

Por isso, o trabalho de classificação busca oferecer informações para que as famílias possam decidir quais conteúdos são adequados ao desenvolvimento de cada criança. A indicação etária funciona como uma referência, permitindo que os responsáveis tenham mais elementos antes de escolher determinado programa.

Para a Record, a alteração envolve uma atração que integra sua programação infantil e utiliza narrativas religiosas como principal característica. A decisão do governo, entretanto, não significa que as histórias bíblicas tenham sido consideradas inadequadas de maneira geral. A avaliação está relacionada aos elementos identificados nas animações exibidas pelo programa.

A repercussão do caso demonstra como a classificação indicativa pode despertar debates quando envolve conteúdos tradicionalmente associados à educação familiar e à formação religiosa. Também evidencia que produções voltadas ao público infantil estão sujeitas aos mesmos critérios técnicos de avaliação aplicados a outros formatos audiovisuais.

Enquanto o assunto repercute entre os telespectadores, a mudança serve de alerta para que pais e responsáveis observem as indicações etárias antes de escolher o que as crianças vão assistir. Mais do que o tema apresentado por uma produção, é importante considerar a maneira como as histórias são contadas e os elementos presentes em cada episódio.