Morre aos 57 anos Júlio César Barreto, médico que realizou mais de 400 transplantes

A medicina goiana perdeu uma de suas referências na área de nefrologia. O médico Júlio César Soares Barreto morreu aos 57 anos, no último sábado (31), em Goiânia. Reconhecido pelo trabalho dedicado ao tratamento de doenças renais e à realização de transplantes, ele construiu uma trajetória marcada pela assistência a pacientes, pelo compromisso com a formação de novos profissionais e pela defesa da doação de órgãos. A notícia provocou manifestações de pesar entre colegas, instituições médicas e pessoas que acompanharam sua atuação ao longo dos anos.

A morte foi comunicada pela TRS Nefrologia e Hemodiálise, clínica fundada pelo médico em 2010. Em nota, a equipe lamentou a perda e manifestou solidariedade aos familiares, pacientes e amigos. A instituição destacou a dedicação de Júlio César à medicina e o papel que ele desempenhou no atendimento de pessoas que conviviam com problemas renais. A causa da morte não foi divulgada. O velório foi marcado para esta segunda-feira (2), a partir das 8h, no Parque Memorial de Goiânia.

Formado em medicina pela Universidade de Brasília (UnB), em 1993, Júlio César deu continuidade à carreira com especialização em nefrologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, ligado à Universidade de São Paulo (USP). A formação abriu caminho para uma atuação voltada especialmente ao diagnóstico e tratamento de doenças que afetam os rins, além do acompanhamento de pacientes que necessitam de cuidados contínuos e procedimentos de alta complexidade.

Ao longo da carreira, o médico integrou equipes de transplante renal do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi, conhecido como HGG, e da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. Também foi sócio do Hospital São Lucas e, em 2010, fundou a TRS Nefrologia e Hemodiálise. Na clínica, desenvolveu atividades relacionadas à assistência nefrológica, ampliando sua participação no atendimento de pacientes com doenças renais crônicas e agudas.

Um dos números mais expressivos de sua trajetória foi a realização de mais de 400 transplantes de rins. O trabalho nessa área representou uma contribuição importante para pessoas que dependiam de um novo órgão para melhorar suas condições de saúde e qualidade de vida. Além da atuação cirúrgica e clínica, Júlio César também se destacou pelo envolvimento com a causa do transplante, defendendo a importância da doação de órgãos e do acesso dos pacientes aos tratamentos disponíveis.

A família autorizou a doação dos órgãos do médico, decisão que está em consonância com uma causa à qual ele dedicou parte significativa de sua vida profissional. A atitude foi mencionada nas informações divulgadas sobre sua trajetória e reforça a importância da conscientização sobre a doação. Para pacientes que aguardam por um transplante, a disponibilidade de órgãos pode representar uma oportunidade de tratamento e a possibilidade de uma nova etapa de vida.

A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) também divulgou uma manifestação de pesar. A entidade ressaltou a contribuição de Júlio César para a formação de diversos nefrologistas em Goiás, destacando sua participação no ensino e na transmissão de conhecimentos às novas gerações de profissionais. Segundo a instituição, o médico deixou uma contribuição relevante para a especialidade, tanto pelo atendimento aos pacientes quanto pelo trabalho desenvolvido na formação de colegas.

Em sua homenagem, a SBN destacou valores como dedicação, compromisso e generosidade, além de prestar solidariedade aos familiares, amigos, colegas e alunos. A clínica fundada pelo médico também ressaltou seu papel como profissional e como pessoa, lembrando que ele conciliava a atuação na medicina com os vínculos familiares. A morte de Júlio César Soares Barreto representa uma perda para a nefrologia em Goiás e deixa como marca uma trajetória ligada ao cuidado renal, à realização de transplantes e à preparação de novos especialistas.