O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) solicitou que a Meta, empresa responsável pelo Facebook e pelo Instagram, apresente esclarecimentos sobre o perfil da companhia de rope jump envolvida na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. A jovem morreu em junho deste ano, após ser arremessada de uma ponte em Limeira, no interior paulista, durante uma atividade em que deveria estar conectada a equipamentos de segurança.
No ofício encaminhado à empresa, a Justiça pede informações sobre a possível exclusão de publicações relacionadas à atividade depois do acidente. O tribunal também quer entender por que a conta da empresa no Instagram foi desativada. Os esclarecimentos são considerados relevantes para a investigação, que apura as circunstâncias da morte da jovem e possíveis tentativas de eliminar materiais que poderiam ajudar na reconstrução dos acontecimentos.
O caso ocorreu na Ponte do Esqueleto, em Limeira. Maria Eduarda participava de uma atividade de rope jump, modalidade que envolve saltos de grandes alturas com utilização de cordas e equipamentos de segurança. Durante a execução, a jovem caiu de aproximadamente 40 metros. Imagens que circularam nas redes sociais mostram três instrutores levantando a participante antes de lançá-la da estrutura. Após a queda, outras pessoas que praticavam a atividade perceberam que ela não estava conectada às cordas.
A tragédia também provocou consequências entre as pessoas que acompanhavam o salto. Um amigo de Maria Eduarda presenciou o ocorrido e ficou em estado de choque, precisando ser encaminhado a um hospital. Os três instrutores que aparecem nas imagens foram presos e denunciados por homicídio com dolo eventual. A CEO da empresa responsável pela atividade, Evelyne dos Santos Gonçalves, também foi presa. A Justiça determinou que os quatro permanecessem detidos.
Uma das dificuldades enfrentadas pelas autoridades durante a investigação envolve o acesso à conta da empresa no Instagram. Na semana anterior, a Justiça tentou entrar no perfil utilizando as informações de login e senha fornecidas por Evelyne. Entretanto, o acesso não foi concluído porque a plataforma exigiu uma confirmação em duas etapas, enviada para um número de telefone celular que ainda não havia sido identificado.
Diante da dificuldade, o TJSP encaminhou o pedido de esclarecimentos à Meta para descobrir o que aconteceu com o perfil e se houve exclusão de publicações depois da morte da jovem. O tribunal também solicitou que os acusados informem, caso tenham conhecimento, quem é o responsável pelo aparelho que recebeu o código de confirmação em duas etapas.
Os depoimentos dos três instrutores, Luís Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, foram marcados para esta terça-feira (3/11), com a presença de Evelyne. A defesa da CEO solicitou o adiamento da audiência até que a empresa Meta apresentasse uma resposta sobre o perfil, mas o pedido foi rejeitado pelo juiz. Dessa forma, os depoimentos foram mantidos conforme o agendamento judicial.
Na denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Maicon, Luís Felipe e Vitor foram acusados de homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima. Evelyne também foi denunciada pelo mesmo crime, além de omissão imprópria e fraude processual. As acusações ainda serão analisadas no andamento do processo, e os envolvidos têm direito à defesa.
O Ministério Público sustentou que os responsáveis pela execução do salto conheciam os riscos da atividade, mas não adotaram procedimentos considerados fundamentais para evitar acidentes. Entre as falhas apontadas estão a ausência de conferência adequada da conexão das cordas de segurança e a falta de uma segunda verificação dos equipamentos antes da realização do salto.
A denúncia também afirma que o grupo trabalhava sem uma divisão clara de responsabilidades e explorava comercialmente a atividade sem cumprir as exigências legais necessárias. Segundo o MPSP, os interesses financeiros e a divulgação dos saltos nas redes sociais teriam recebido prioridade em relação à segurança dos participantes.
Em relação a Evelyne, o Ministério Público afirmou que, como organizadora da atividade, ela tinha a responsabilidade de garantir condições mínimas de segurança e interromper os trabalhos caso fossem identificados problemas. A acusação sustenta que essa obrigação não teria sido cumprida, mesmo depois de a responsável tomar conhecimento de uma falha operacional semelhante ocorrida anteriormente.
Outro ponto da denúncia envolve uma câmera GoPro utilizada por Maria Eduarda durante a atividade. Segundo o Ministério Público, Evelyne teria orientado a retirada do equipamento e a exclusão do conteúdo registrado, com o objetivo de dificultar a investigação. A câmera continua desaparecida. A solicitação enviada à Meta faz parte das medidas adotadas pela Justiça para esclarecer o destino das publicações e reunir informações que possam contribuir para a apuração do caso.






