Empresário processado por Alexandre de Moraes vai à falência

O empresário e advogado brasileiro Alexandre Zibenberg relatou os acontecimentos que, segundo ele, mudaram completamente sua vida após a publicação de um vídeo com críticas ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em entrevista ao programa Pleno Time, ele afirmou que enfrentou processos judiciais nas esferas cível e criminal em razão da manifestação publicada em 2020. De acordo com seu relato, as condenações financeiras comprometeram seu patrimônio e contribuíram para que precisasse deixar o Brasil em 2023.

Natural da cidade do Rio de Janeiro, Zibenberg contou que sempre atuou como advogado e empresário, mantendo interesse por debates políticos, mas sem participar diretamente da atividade partidária. Segundo ele, sua aproximação mais intensa com discussões políticas começou em 2018, durante o período eleitoral. Até então, afirmou que sua rotina estava concentrada principalmente na profissão e nos negócios, sem qualquer planejamento de deixar o país ou construir uma vida no exterior.

O episódio que deu origem à controvérsia aconteceu dois anos depois, quando o advogado publicou um vídeo questionando a apresentação dos serviços oferecidos pelo escritório de Viviane Barci de Moraes. Na ocasião, ele chamou a atenção para a descrição da banca como especializada em atuação perante cortes superiores. Zibenberg afirmou que considerou a expressão incomum e decidiu comentar o assunto publicamente, apresentando sua interpretação sobre a atividade profissional anunciada.

Durante a entrevista, o empresário explicou que estava pesquisando páginas de outros escritórios de advocacia porque pretendia reformular o site de sua própria empresa. Nesse processo, encontrou a descrição que despertou sua curiosidade e resolveu gravar o vídeo. Segundo ele, a manifestação tinha como objetivo questionar a forma de apresentação dos serviços, sem que houvesse intenção de iniciar uma disputa judicial ou transformar o comentário em um episódio de grandes proporções.

Após a publicação, conforme o relato de Zibenberg, foram apresentadas duas ações cíveis contra ele no Tribunal de Justiça de São Paulo. O advogado questionou o fato de os processos tramitarem naquele estado, já que afirmou residir no Rio de Janeiro naquele período. Ele também declarou que recebeu condenações em valores elevados, que considera incompatíveis com sua capacidade financeira e com o conteúdo da manifestação que havia publicado.

Zibenberg afirmou que começou a cumprir as obrigações financeiras determinadas nos processos, mas que a situação ganhou um novo desdobramento em 2023. Naquele ano, segundo contou, passou a responder também a uma ação criminal relacionada ao mesmo vídeo de 2020. O procedimento tramitou no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e ampliou as consequências jurídicas que ele já enfrentava desde a publicação do conteúdo.

Ao comentar essa etapa, o empresário explicou que Alexandre de Moraes figurava como assistente de acusação em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público. Ele também relatou que participou de uma audiência realizada por videoconferência, na qual o ministro esteve presente. Segundo Zibenberg, a representação jurídica de Moraes naquele ato ficou a cargo de sua filha, a advogada Juliane Barci de Moraes.

O entrevistado voltou a defender que sua manifestação original estava relacionada exclusivamente à descrição dos serviços anunciados pelo escritório. Na avaliação apresentada por ele, a crítica não justificaria consequências financeiras tão elevadas. Zibenberg argumentou que profissionais da advocacia podem atuar em diferentes áreas, mas questionou a utilização da expressão relacionada à especialização em cortes superiores. Essa interpretação, entretanto, representa a posição do próprio entrevistado sobre o assunto.

O caso criminal terminou com uma condenação de cinco anos de prisão, conforme relatado pelo advogado durante a entrevista. Diante da decisão, ele afirmou que tomou a decisão de deixar o Brasil às pressas, em 2023. A mudança aconteceu em um momento particularmente delicado de sua vida pessoal, pois sua esposa estava grávida. Segundo ele, foi necessário interromper projetos profissionais, abandonar compromissos e reorganizar completamente a rotina familiar para começar novamente em outro país.

Zibenberg contou que já havia visitado os Estados Unidos anteriormente, mas apenas como turista. Não existia, segundo ele, um plano de imigração ou uma preparação para estabelecer residência no exterior. A mudança aconteceu em meio aos processos judiciais e às preocupações com as consequências da condenação criminal. Atualmente, ele se descreve como alguém que precisou reconstruir a própria vida longe do Brasil, utilizando a expressão exílio para definir sua situação.

Além da mudança de país, o advogado afirmou que as condenações cíveis tiveram impacto direto sobre sua condição financeira. Segundo seu relato, os valores determinados judicialmente ultrapassaram o patrimônio que possuía na época e contribuíram para sua falência. Ele questionou a proporcionalidade das indenizações e declarou que, em sua avaliação, uma eventual reparação deveria considerar a dimensão da manifestação publicada e os parâmetros financeiros envolvidos.

O depoimento de Alexandre Zibenberg voltou a colocar em discussão temas como liberdade de expressão, responsabilidade nas manifestações públicas e limites das medidas judiciais. O episódio também envolve questões relacionadas ao exercício da advocacia e à proteção da honra e da imagem profissional. Esses assuntos exigem análise cuidadosa, especialmente porque envolvem processos judiciais e versões apresentadas pelas partes.

Ao compartilhar sua trajetória, Zibenberg afirmou que a publicação de um único vídeo acabou produzindo consequências que atingiram sua carreira, seu patrimônio e sua vida familiar. O relato apresentado ao Pleno Time oferece a perspectiva do advogado sobre os acontecimentos, enquanto os processos e as decisões judiciais devem ser compreendidos a partir de seus respectivos registros e fundamentos. A história mostra como uma controvérsia pública pode se transformar em uma longa disputa judicial, com consequências que ultrapassam o ambiente digital.