Fiocruz alerta para aumento de casos graves de Covid-19 e reforça atenção à saúde em diferentes regiões do Brasil

A Covid-19 voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde brasileiras. Um novo levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou sinais de crescimento dos casos graves da doença em diferentes partes do país. O alerta faz parte do mais recente boletim InfoGripe, divulgado em novembro de 2026, que acompanha a circulação de vírus respiratórios e o avanço das internações relacionadas a essas infecções.

Os dados mostram que Mato Grosso, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina apresentam sinais de aumento nos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à Covid-19. Embora o crescimento mereça acompanhamento, a Fiocruz destaca que a incidência permanece em níveis baixos na maior parte dessas localidades.

O levantamento considera informações referentes ao período de 25 a 31 de outubro e também aponta mudanças na circulação de outros vírus respiratórios. A situação reforça a importância de acompanhar os indicadores de saúde, principalmente em períodos nos quais diferentes infecções podem apresentar sintomas semelhantes.

Entre as capitais brasileiras, Aracaju, em Sergipe, e João Pessoa, na Paraíba, aparecem com níveis de atividade de SRAG classificados como alerta, risco ou alto risco, além de tendência de crescimento nas últimas semanas. É importante destacar que esse indicador considera o conjunto das doenças respiratórias graves, não apenas os casos relacionados ao coronavírus.

Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a presença de diferentes agentes infecciosos entre os resultados positivos dos pacientes internados. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas analisadas, o rinovírus apareceu em 50,1% dos casos de SRAG com identificação de vírus respiratórios. A Covid-19 correspondeu a 8,5%, enquanto o vírus sincicial respiratório representou 10,1%.

Também foram identificados registros de influenza B, com 4,7%, e influenza A, com 4,2%. Os números demonstram que o cenário respiratório brasileiro envolve diferentes agentes, exigindo atenção tanto dos profissionais de saúde quanto da população.

As crianças pequenas estão entre os grupos que merecem acompanhamento especial. Segundo a análise da Fiocruz, a incidência de síndrome respiratória aguda grave é mais elevada entre crianças de até dois anos. Nessa faixa etária, o rinovírus, o vírus sincicial respiratório e o metapneumovírus aparecem entre os principais agentes associados aos registros.

Já entre as pessoas com 65 anos ou mais, os indicadores mostram maior impacto na mortalidade relacionada à SRAG. Por esse motivo, os cuidados preventivos continuam sendo importantes, especialmente para quem possui maior vulnerabilidade a complicações respiratórias.

O boletim também apresenta um panorama dos registros acumulados durante 2026. Desde o início do ano epidemiológico, foram notificadas 171.369 ocorrências de Síndrome Respiratória Aguda Grave no Brasil. Desse total, 91.420 tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório, o equivalente a 53,3%.

Quando o assunto é Covid-19, a vacinação continua sendo uma das principais ferramentas de proteção. A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo InfoGripe, reforçou a necessidade de manter a imunização atualizada, principalmente entre os grupos prioritários.

A orientação é que idosos, pessoas com doenças crônicas, indivíduos imunocomprometidos e outros públicos contemplados pelo calendário de vacinação procurem uma unidade de saúde para verificar se precisam receber alguma dose. As recomendações podem variar conforme a idade, o histórico de vacinação e as condições de saúde de cada pessoa.

Além da imunização, medidas simples ajudam a diminuir a circulação dos vírus. Manter os ambientes ventilados, higienizar as mãos com frequência e evitar contato próximo com outras pessoas quando houver sintomas respiratórios são atitudes que contribuem para a proteção coletiva.

Pessoas que apresentam febre persistente, falta de ar ou piora importante do estado geral devem procurar atendimento médico. A avaliação profissional permite identificar a causa dos sintomas e orientar os cuidados necessários.

Apesar dos sinais de crescimento registrados em algumas localidades, os dados não indicam que o Brasil esteja diante de uma nova situação semelhante à vivida nos períodos mais difíceis da pandemia. A incidência de casos graves de Covid-19 permanece baixa na maior parte das regiões analisadas.

O acompanhamento realizado pela Fiocruz permite identificar mudanças com antecedência e oferece informações importantes para orientar as ações de saúde pública. O momento pede atenção, informação de qualidade e prevenção, sem necessidade de alarmismo. Manter a vacinação em dia e observar os cuidados recomendados continua sendo a melhor maneira de proteger a própria saúde e contribuir para o bem-estar de toda a comunidade.