O que revelam as mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes e como o ministro já se defendeu

Novos conteúdos digitais revelados pelo portal UOL nesta sexta‑feira (6) trouxeram à tona supostas trocas de mensagens entre o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Os registros, recuperados de arquivos residuais do WhatsApp, reacendem o debate sobre proximidade entre os dois, ao passo que a defesa do magistrado mantém a posição de que não houve comunicação direta e que as provas apresentadas são insuficientes para confirmar os envios.

O que mostram os novos dados levantados pela reportagem

A análise do UOL identificou cerca de 316 interações que teriam ocorrido nos dois meses antes da prisão de Vorcaro. Desses, 17 mensagens inéditas foram recuperadas, somando‑se às 52 notas já divulgadas anteriormente. Parte dos conteúdos usava o recurso de visualização única, que se apaga em 24 horas, mas os peritos conseguiram localizar vestígios em bancos secundários e registros remanescentes do aplicativo. Entre os trechos apresentados, há uma suposta resposta de Moraes: “Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs”, datada de 24 de outubro de 2025. Em outra mensagem, Vorcaro teria chamado o ministro de “paizão”, em resposta a uma frase sobre compromissos familiares.

Agendamento de encontro em Brasília também é citado nos registros

Ainda segundo os materiais recuperados, apenas três dias antes da primeira prisão de Daniel Vorcaro, em 14 de novembro, há indícios de que os dois teriam combinado um encontro na capital federal, logo após a chegada do jatinho do empresário. O levantamento também menciona conversas paralelas com familiares e assessores, nas quais Vorcaro falava sobre estar na companhia de Moraes ou organizar recepções. Um exemplo citado é um almoço exclusivo no Hotel Botanique, em Campos do Jordão, realizado em dezembro de 2023. É importante destacar que a defesa do ministro contesta a autenticação e a correlação definitiva desses registros com o próprio magistrado.

Mensagens sugerem pedido de intervenção institucional, segundo os investigadores

Outro ponto de atenção nos arquivos são trechos em que Vorcaro parece pedir agilidade e apoio junto a autoridades ligadas à segurança pública e ao sistema de justiça. Em uma das mensagens, ele cita nomes de figuras públicas, pedindo que medidas sobre o banco sejam adiadas para evitar o colapso da instituição. Horas antes de ser detido no Aeroporto de Guarulhos, o empresário ainda perguntava se haveria alguma forma de suspender as medidas cautelares impostas contra ele. Esses trechos são usados pela acusação para defender que Vorcaro via o ministro como um canal de interlocução privilegiado, ponto rebatido por Alexandre de Moraes.

A defesa de Alexandre de Moraes: “Não existe diálogo”

O ministro enviou ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, negando categoricamente a existência de conversas com o banqueiro. “NÃO EXISTE DIÁLOGO, que pressupõe a existência de dois interlocutores, pois não há UMA ÚNICA MENSAGEM OU BLOCO DE NOTAS COM O TEXTO DE MENSAGENS DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES”, escreveu. Ele explicou que 47 das 52 notas iniciais nunca foram localizadas em uma conversa real do WhatsApp, tratando‑se de rascunhos sem prova de envio. Também reforçou que nunca julgou processos do Banco Master ou de Vorcaro, não conhecia os juízes que decretaram a prisão e que a própria operação policial desmente qualquer hipótese de proteção ao empresário.

Nota técnica do STF também foi apresentada no debate

Em nota divulgada anteriormente pela Secretaria de Comunicação do Supremo, a Corte informou que uma análise técnica dos dados do celular de Vorcaro mostrou que os prints das mensagens estavam vinculados a pastas de outros contatos da lista do empresário, e não diretamente ao número de Alexandre de Moraes. O STF acrescentou que os nomes dos contatos originais estão preservados por sigilo judicial, mas constam nos arquivos entregues à CPMI do INSS. A nota foi usada pela defesa do ministro para sustentar que as mensagens não podem ser atribuídas a ele com certeza.

Moraes classifica a apuração como “vingança política”

Durante sessão plenária do STF, Alexandre de Moraes criticou a forma como a investigação foi aberta pelo ministro André Mendonça. Para ele, a ordem investigatória teria sido expedida sem a provocação prévia da Polícia Federal ou da Procuradoria‑Geral da República, ferindo regras processuais. O ministro também afirmou que os materiais foram mantidos sob sigilo por meses para serem liberados no período eleitoral, caracterizando uma orquestração de “vingança política”, motivada pela condenação de Jair Bolsonaro, indicado de Mendonça para o STF.

Caso segue sob análise e pode gerar novas apurações

A disputa judicial e institucional está longe de terminar. Novos laudos periciais devem ser apresentados para confirmar a origem, a data e o destinatário real das mensagens recuperadas. Enquanto isso, a sociedade acompanha o desenrolar do processo, que mexe com a credibilidade das instituições de justiça. O Supremo Tribunal Federal segue recebendo manifestações das partes envolvidas para decidir qual caminho será tomado diante de um dos casos mais comentados dos últimos meses no cenário jurídico brasileiro.