Flávio Bolsonaro diz ao New York Times que organizou sozinho saída do Brasil

A entrevista concedida por Flávio Bolsonaro ao jornal norte-americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), trouxe novos detalhes sobre sua saída do Brasil e voltou a movimentar o cenário político. O senador afirmou que organizou a viagem aos Estados Unidos por conta própria, sem receber ajuda de governos ou de outras pessoas. Sobre a maneira como conseguiu deixar o país e chegar a Miami, nos Estados Unidos, foi direto: pretende guardar as informações para sempre.

Segundo o parlamentar, a decisão de deixar o Brasil surgiu de maneira espontânea, depois de uma conversa com a esposa, Fernanda Bolsonaro. Ele afirmou que não existia um planejamento antecipado e negou qualquer participação de aliados ou representantes de governos estrangeiros na organização da viagem.

A declaração chama atenção porque, desde sua chegada aos Estados Unidos, surgiram diferentes informações sobre possíveis apoios durante o deslocamento. Reportagens da imprensa internacional mencionaram a participação de pessoas ligadas ao governo norte-americano e de integrantes do círculo político do presidente argentino Javier Milei.

Flávio, entretanto, manteve sua versão. Durante a conversa com o jornal, declarou que não recebeu auxílio de nenhum governo e que, embora pudesse contar com a torcida de pessoas próximas, a decisão e a organização foram responsabilidade dele e da esposa.

A viagem aconteceu depois que o senador recebeu a informação de que deveria entregar seus passaportes às autoridades brasileiras. O episódio teria ocorrido após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Na entrevista, Flávio relembrou a conversa que teve com o pai naquele momento. Segundo seu relato, Jair teria demonstrado preocupação com os acontecimentos e feito uma observação sobre o que poderia acontecer dali em diante. O senador afirmou que respondeu estar preparado e que sabia o que precisava fazer.

Ele também declarou que não chegou a conversar com o pai sobre os detalhes de sua saída do Brasil. De acordo com sua versão, a decisão foi tomada posteriormente, em conjunto com Fernanda.

A chegada da família a Miami, no dia 28 de outubro, também despertou interesse por causa do percurso realizado. A viagem incluiu deslocamentos pela América do Sul, com passagem pela Argentina e pelo Equador, antes de chegar ao território norte-americano.

Embora Flávio negue ter recebido ajuda externa, informações divulgadas pelo próprio New York Times apontaram que um funcionário da Casa Branca teria providenciado a aeronave utilizada no trajeto. O jornal também relatou que a entrada do senador nos Estados Unidos contou com autorização direta do presidente Donald Trump.

Essas informações colocaram a entrevista no centro das discussões políticas. Afinal, existe uma diferença entre a versão apresentada pelo senador e os relatos publicados sobre a participação de pessoas ligadas ao governo norte-americano.

Outro assunto abordado foi a situação judicial de Flávio Bolsonaro no Brasil. O parlamentar voltou a afirmar que é inocente e criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Também questionou decisões relacionadas às investigações que envolvem seu nome.

O senador ainda comentou o resultado das eleições presidenciais, nas quais foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo sem apresentar provas de irregularidades, voltou a levantar dúvidas sobre o processo eleitoral e afirmou que perdeu para o que chamou de sistema.

Flávio reconheceu que uma contestação judicial dificilmente terá resultado favorável, mas indicou que pretende continuar questionando o resultado. O assunto mantém a atenção sobre os próximos movimentos do senador e a maneira como pretende atuar politicamente enquanto estiver fora do Brasil.

A permanência nos Estados Unidos também foi discutida. Flávio afirmou que sua família está se adaptando à nova rotina, mas não considera necessariamente definitiva a mudança. A expectativa, segundo ele, é que a estadia seja temporária, embora ainda não exista uma previsão concreta de retorno.

Mesmo distante do país, o senador demonstrou interesse em continuar participando das articulações políticas brasileiras. Entre os assuntos que pretende acompanhar estão propostas defendidas durante sua campanha e iniciativas relacionadas à atuação de seus aliados no Congresso Nacional.

Quando questionado sobre seus planos eleitorais, Flávio não descartou uma nova candidatura caso o Brasil tenha outras eleições presidenciais. A declaração indica que ele pretende continuar presente na política, apesar das dificuldades enfrentadas neste momento.

A entrevista ao New York Times, portanto, trouxe mais do que uma explicação sobre a viagem. Também revelou como o senador pretende conduzir sua imagem pública diante das dúvidas sobre sua saída do Brasil, das questões judiciais e da derrota eleitoral.

Por enquanto, uma parte importante da história continua sem esclarecimento. Flávio afirma que não recebeu ajuda e que não pretende revelar como organizou todos os detalhes do deslocamento. Enquanto isso, as informações divulgadas pela imprensa internacional continuam alimentando questionamentos sobre a viagem e suas circunstâncias.

A decisão de manter o assunto em segredo certamente continuará despertando curiosidade. Afinal, mesmo depois de sua primeira entrevista internacional desde a chegada aos Estados Unidos, o senador deixou claro que não pretende contar tudo o que sabe sobre os acontecimentos que o levaram até Miami.