Marieta Severo completou 80 anos na última segunda-feira (2) e marcou a chegada à nova década com reflexões sobre a vida, a carreira e as experiências que construíram sua trajetória. Em uma entrevista concedida à jornalista Bete Pacheco para o programa Balaio GloboNews, antes do aniversário, a atriz falou sobre a saudade do marido, o diretor Aderbal Freire-Filho, e relembrou a relação que os dois viveram durante anos. Com a sinceridade característica de quem olha para o passado sem deixar de pensar no futuro, Marieta contou como a perda do companheiro mudou sua rotina e exigiu uma nova organização emocional. A conversa também abordou momentos importantes de sua história pessoal, incluindo o período em que precisou deixar o Brasil durante a ditadura militar. Mesmo ao recordar experiências difíceis, a atriz demonstrou disposição para continuar aprendendo, trabalhando e descobrindo novos caminhos. A proximidade dos 80 anos, portanto, não apareceu como um ponto final em sua trajetória, mas como uma oportunidade de refletir sobre tudo o que viveu e sobre os projetos que ainda deseja realizar. Entre lembranças afetivas e comentários sobre o cenário artístico, Marieta mostrou que continua olhando para a vida com curiosidade e vontade de experimentar novas possibilidades.
Um dos momentos mais emocionantes da entrevista aconteceu quando a atriz falou sobre Aderbal Freire-Filho, com quem construiu uma relação que considera uma das experiências mais importantes de sua vida. Ao recordar o início do romance, Marieta destacou que os dois já tinham maturidade quando se apaixonaram, o que, segundo ela, permitiu que compreendessem a importância daquele encontro. “A gente se apaixonou com 50 e tantos anos, então sabia exatamente o valor disso. Não tinha dúvidas, pequenas questões, nada. Tinha a coisa central, que era o amor e viver aquilo. Quando isso falta, fica aqui e vai ficar sempre. A gente aprende a ir em frente, a se organizar emocionalmente de outras formas”, declarou. A fala revela como a atriz encara a ausência do companheiro: sem apagar a importância da história que viveram, mas reconhecendo que é necessário encontrar maneiras de continuar. A lembrança do relacionamento também mostra que, para Marieta, o amor construído ao longo dos anos permanece presente mesmo depois da despedida. Em vez de tratar a saudade como algo que simplesmente desaparece com o tempo, ela reconheceu que a experiência continua fazendo parte de sua vida e que seguir em frente exige encontrar novas formas de lidar com os sentimentos.
A entrevista também trouxe reflexões sobre o envelhecimento e a maneira como Marieta pretende aproveitar os próximos anos. Prestes a completar 80 anos na ocasião da conversa, a atriz afirmou que deseja continuar estudando, conhecendo assuntos diferentes e mantendo viva a curiosidade. A postura demonstra que ela não pretende limitar seus interesses por causa da idade ou considerar que já chegou a uma etapa em que não há mais espaço para descobertas. Ao longo da carreira, Marieta construiu uma trajetória marcada por personagens importantes no teatro, no cinema e na televisão, mas continua demonstrando interesse por novas experiências profissionais e pessoais. Essa disposição também aparece na maneira como fala sobre o futuro: em vez de se concentrar apenas nas conquistas acumuladas, a artista demonstra vontade de continuar em movimento. A passagem do tempo, segundo a perspectiva apresentada na entrevista, não precisa significar o abandono de projetos ou a redução das possibilidades. Pelo contrário, a maturidade pode abrir espaço para escolhas diferentes, novos aprendizados e experiências que talvez não fossem possíveis em outras fases da vida. Ao completar oito décadas, Marieta mantém justamente essa disposição de seguir descobrindo o mundo e construindo novas histórias.
Outro assunto abordado pela atriz foi o etarismo, especialmente as dificuldades enfrentadas por mulheres mais velhas para conquistar personagens de destaque no audiovisual. Marieta observou que ainda existe uma diferença na oferta de oportunidades para artistas que chegam a uma idade mais avançada, embora esteja vivendo uma fase de participação em diferentes produções do cinema nacional. Ao comentar a quantidade de trabalhos recentes voltados a personagens mais velhas, fez uma observação bem-humorada: “O que está acontecendo com o cinema nacional que está precisando tanto de velha?”, questionou. A frase chamou a atenção por trazer, de maneira descontraída, uma discussão importante sobre a presença de mulheres maduras nas produções culturais. A atriz também demonstrou gratidão pelas oportunidades que tem recebido, mas sua fala evidencia que a ampliação dos papéis destinados a artistas mais velhas continua sendo um tema relevante para o setor. A experiência de Marieta ajuda a colocar em perspectiva uma questão que vai além de sua trajetória individual: a necessidade de oferecer histórias variadas a mulheres de diferentes idades, sem limitar suas possibilidades profissionais a determinados estereótipos. Ao seguir atuando em projetos distintos, ela também mantém sua presença em um mercado que ainda precisa ampliar a representação de personagens maduras.
Durante a conversa, Marieta também revisitou um dos períodos mais delicados de sua história pessoal: o exílio durante a ditadura militar. A atriz deixou o Brasil em um contexto político marcado por restrições e incertezas, experiência que teve consequências importantes para sua vida familiar. Entre as lembranças daquele período, ela recordou os desafios que enfrentou durante a gravidez da filha Silvinha, que acabou nascendo fora do país. A experiência fez parte de uma fase em que decisões pessoais precisaram ser tomadas em meio às circunstâncias políticas da época. Ao trazer esse assunto para a entrevista, Marieta mostrou que sua trajetória não foi construída apenas a partir das conquistas profissionais, mas também de acontecimentos que exigiram mudanças profundas em sua vida. A lembrança do exílio acrescenta outra dimensão à história da atriz, que precisou lidar com a distância do Brasil e com as incertezas de um período histórico complexo. Mesmo depois de tantos anos, essas experiências continuam integrando suas memórias e ajudam a explicar parte do caminho percorrido até chegar aos 80 anos. A disposição para falar sobre o passado também demonstra como a artista consegue revisitar diferentes fases de sua vida sem deixar de reconhecer os desafios e as transformações que enfrentou.
Agora, aos 80 anos, Marieta Severo reúne uma trajetória artística consolidada, experiências pessoais marcantes e o desejo de continuar construindo novos capítulos. A entrevista concedida antes do aniversário permitiu que a atriz compartilhasse lembranças do relacionamento com Aderbal Freire-Filho, refletisse sobre a saudade e comentasse questões importantes relacionadas ao envelhecimento e à representação de mulheres maduras no audiovisual. Sua fala sobre o marido destacou a força de uma relação que começou quando ambos já tinham mais de 50 anos e que permanece presente em suas lembranças. Ao mesmo tempo, o relato sobre o exílio mostrou como acontecimentos históricos também influenciaram sua vida familiar, enquanto os comentários sobre o cinema revelaram sua atenção às oportunidades profissionais destinadas às atrizes mais velhas. A chegada aos 80 anos, celebrada na última segunda-feira (2), representa uma data significativa para uma artista que continua ativa e interessada em novas experiências. Mais do que olhar apenas para o que ficou para trás, Marieta demonstrou que pretende seguir aprendendo e trabalhando. Entre a saudade de quem fez parte de sua história e a curiosidade pelo que ainda está por vir, a atriz inicia essa nova década preservando aquilo que considera essencial: o amor, a memória e a vontade de continuar vivendo plenamente.






