Após derrota de Trump nos EUA, Flávio e Eduardo Bolsonaro podem ser deportados a qualquer momento

A mudança no equilíbrio de forças políticas dos Estados Unidos pode trazer novos desafios para Flávio e Eduardo Bolsonaro, que permanecem em território americano enquanto enfrentam questões judiciais no Brasil. A vitória dos democratas nas eleições legislativas realizadas na terça-feira (3) retirou dos republicanos o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, criando um cenário menos favorável ao presidente Donald Trump. Embora o resultado não provoque mudanças automáticas na situação dos irmãos, a nova composição do Congresso poderá ampliar a fiscalização sobre decisões do governo americano relacionadas à família Bolsonaro.

A situação de Flávio Bolsonaro desperta atenção especial entre parlamentares democratas. O senador deixou o Brasil depois de perder a eleição presidencial de 25 de outubro para Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que exigia a entrega de seus passaportes e impedia sua saída do território nacional. A Polícia Federal investiga as circunstâncias da viagem, incluindo a passagem pela fronteira com a Argentina sem registro nos controles migratórios brasileiros. Posteriormente, Flávio seguiu para os Estados Unidos em uma aeronave particular, acompanhado da esposa e das duas filhas.

A chegada do parlamentar aos Estados Unidos provocou questionamentos antes mesmo da votação americana. Um grupo formado por 25 congressistas democratas solicitou explicações ao secretário de Estado, Marco Rubio, sobre os procedimentos que permitiram a entrada do brasileiro e de seus familiares. Entre os pontos levantados estão a concessão da autorização migratória, o conhecimento das autoridades americanas sobre as investigações conduzidas no Brasil e a possibilidade de participação de integrantes do governo Trump na organização da viagem. Os parlamentares estabeleceram o dia 13 de novembro como prazo esperado para receber esclarecimentos oficiais.

Uma das principais representantes dessa iniciativa é a deputada democrata Pramila Jayapal, que já havia anunciado a intenção de investigar possíveis interferências americanas em assuntos brasileiros caso seu partido conquistasse maioria no Congresso. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 30 de outubro, ela mencionou tanto a situação de Flávio quanto a atuação da empresa Meta no Brasil. Com a nova configuração parlamentar, os democratas poderão promover audiências, solicitar documentos e convocar autoridades para prestar esclarecimentos. Essas prerrogativas de fiscalização serão ampliadas quando os congressistas eleitos assumirem seus mandatos, em janeiro de 2027.

Eduardo Bolsonaro enfrenta um contexto diferente, embora também possa ser afetado politicamente pela mudança em Washington. O ex-deputado está nos Estados Unidos há mais tempo e, segundo informações atribuídas à Agência Brasil, foi condenado no Brasil a quatro anos de prisão por sua atuação em favor de sanções americanas contra autoridades brasileiras. A publicação também informa a existência de um mandado de prisão em aberto. A maioria democrata poderá intensificar questionamentos sobre contatos entre integrantes do governo Trump e aliados de Eduardo, especialmente em iniciativas relacionadas ao Supremo Tribunal Federal e às relações diplomáticas entre os dois países.

Apesar da possibilidade de novas investigações, especialistas em procedimentos institucionais distinguem a fiscalização parlamentar das decisões migratórias e judiciais. Uma eventual deportação depende das autoridades competentes do Executivo americano, enquanto a extradição exige procedimentos jurídicos específicos. Segundo informações atribuídas à Reuters, Flávio e sua família receberam autorização humanitária temporária para permanecer nos Estados Unidos, modalidade conhecida como humanitarian parole. Esse mecanismo não representa necessariamente uma autorização permanente. No Brasil, o senador continua investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e outras irregularidades, acusações que nega. Eventuais medidas cautelares adicionais dependerão de decisões da Justiça brasileira.

Donald Trump, por sua vez, continua exercendo a Presidência dos Estados Unidos, mesmo após a derrota de seu partido no Legislativo. Seu mandato está previsto para terminar em janeiro de 2029, e o presidente mantém atribuições sobre órgãos federais responsáveis pela política externa e pela administração migratória. Entretanto, o fortalecimento da oposição poderá aumentar a cobrança por transparência e explicações. Uma reportagem da Reuters, divulgada em 30 de outubro, apontou que o governo americano não pretendia apoiar as ambições políticas de Flávio, apesar de sua entrada ter sido autorizada. A publicação também mencionou a participação de Jason Miller na organização da viagem e uma recomendação de Marco Rubio ao presidente.

O cenário, portanto, combina incertezas jurídicas e possíveis repercussões diplomáticas. A vitória democrata não significa que Flávio ou Eduardo Bolsonaro serão imediatamente detidos, deportados ou extraditados, mas poderá criar obstáculos políticos para eventuais iniciativas de proteção ou apoio dentro da administração americana. O primeiro desdobramento esperado é a resposta do Departamento de Estado aos questionamentos dos 25 parlamentares, prevista para 13 de novembro. Depois disso, a posse do novo Congresso, em janeiro, poderá abrir caminho para uma fiscalização mais intensa. Até lá, a permanência dos irmãos nos Estados Unidos continuará submetida às normas migratórias americanas e às decisões das autoridades competentes.