A política perdeu uma figura que construiu uma trajetória de décadas no serviço público e ocupou posições importantes na administração estadual. Adalberto Farias Cabral, ex-deputado estadual e ex-presidente do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), morreu na segunda-feira (2), aos 91 anos. Pai do ex-deputado federal Danilo Cabral, ele teve sua morte confirmada pela família, que informou que o falecimento ocorreu em consequência de complicações relacionadas à doença de Alzheimer. A notícia também ganhou repercussão nas redes sociais após uma homenagem publicada pelo filho, que expressou sua gratidão e seu carinho pelo pai.
A despedida foi marcada por uma mensagem emocionante de Danilo Cabral, que utilizou suas redes sociais para prestar uma última homenagem. Na publicação, o ex-parlamentar escreveu: “Te amarei pra sempre, Pai! Gratidão eterna por tudo! Deus te conceda o merecido descanso e a Paz eterna!”. A manifestação trouxe um aspecto pessoal à notícia, destacando os laços familiares para além da longa carreira política de Adalberto. Conforme as informações divulgadas, o velório e o sepultamento foram programados para a manhã de terça-feira (3), no Cemitério Morada da Paz, localizado no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife.
Natural de Surubim, cidade situada no Agreste pernambucano, Adalberto Farias Cabral nasceu em 15 de fevereiro de 1935. Antes de ingressar definitivamente na vida pública, formou-se em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Sua formação acadêmica antecedeu uma carreira que seria marcada pela participação em diferentes áreas da administração pública. Ao longo dos anos, acumulou experiências no Poder Legislativo, na gestão municipal e em uma das principais instituições responsáveis pela fiscalização das contas públicas estaduais, construindo um histórico profissional ligado diretamente à estrutura administrativa de Pernambuco.
Uma das etapas mais importantes de sua trajetória aconteceu na Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde exerceu três mandatos como deputado estadual. Sua atuação parlamentar compreendeu os períodos de 1979 a 1982, de 1983 a 1986 e de 1987 a 1988. Durante esses anos, participou da vida política pernambucana em um período de importantes transformações nacionais, incluindo o processo de redemocratização do Brasil. A experiência adquirida no Legislativo antecedeu sua chegada ao Tribunal de Contas, instituição na qual passaria a exercer funções de fiscalização e direção, ampliando sua participação na administração estadual.
Em 1988, Adalberto foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco pelo então governador Miguel Arraes de Alencar. A indicação representou uma nova fase de sua carreira, direcionada ao acompanhamento e à fiscalização da utilização dos recursos públicos. Dentro da instituição, alcançou a presidência em duas oportunidades, inicialmente entre 1992 e 1993 e, posteriormente, de 2000 a 2001. O exercício dessas funções colocou o ex-parlamentar em posições de responsabilidade na estrutura do órgão, cuja atuação é fundamental para o controle externo e a análise da gestão financeira de instituições públicas.
Além dos períodos em que presidiu o TCE-PE, Adalberto ocupou outros cargos relevantes dentro do tribunal. Entre as funções desempenhadas estiveram as de vice-presidente, ouvidor-geral, corregedor-geral e presidente da Primeira Câmara. Essas responsabilidades envolveram diferentes áreas da organização institucional, desde atividades administrativas até atribuições relacionadas ao funcionamento interno do órgão. Sua aposentadoria ocorreu em fevereiro de 2005, encerrando uma etapa de aproximadamente 17 anos como conselheiro. A passagem pelo Tribunal de Contas se tornou um dos principais capítulos de sua trajetória profissional, somando-se à experiência acumulada anteriormente na política estadual.
A carreira de Adalberto também incluiu importantes responsabilidades na Prefeitura do Recife. Na administração municipal, exerceu os cargos de secretário de Abastecimento e secretário de Serviços Públicos, além de ter presidido a Companhia de Transportes Urbanos (CTU). Essas funções estavam relacionadas a áreas essenciais para o funcionamento da capital pernambucana e para o atendimento das necessidades da população. A diversidade dos postos ocupados demonstra a amplitude de sua experiência no setor público, passando por atividades legislativas, funções executivas e responsabilidades de fiscalização. Ao longo da vida profissional, sua atuação esteve vinculada a diferentes setores da gestão governamental.
Adalberto Farias Cabral deixa a esposa, Maria do Amparo, e uma família formada por seis filhos: Danilo Cabral, Lúcia Helena, Marcos Jorge, já falecido, Glauco, Adalberto Filho e Luciana. Também deixa 13 netos e quatro bisnetos. Entre os familiares, Danilo Cabral seguiu carreira política, tendo exercido mandato como deputado federal e ocupado o cargo de secretário nacional no Ministério do Empreendedorismo. A morte de Adalberto encerra uma trajetória de mais de nove décadas, marcada pela convivência familiar e por uma extensa participação na vida pública pernambucana. Sua história reúne passagens pelo Legislativo, pela administração do Recife e pelo Tribunal de Contas, instituições nas quais desempenhou funções ao longo de diferentes períodos.






