Eleição nos EUA pode tirar força de Trump e mudar o rumo do governo republicano

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3/11) para escolher os novos integrantes do Congresso. A votação pode mudar o rumo do governo de Donald Trump e trazer dificuldades para o presidente nos próximos dois anos. Com a popularidade em queda e críticas ao aumento do custo de vida e à guerra contra o Irã, o republicano enfrenta uma disputa importante para tentar manter a força de seu partido no Congresso. Do outro lado, os democratas enxergam uma oportunidade de recuperar espaço e limitar o poder do presidente.

A eleição vai definir todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Conhecidas como eleições de meio de mandato, as chamadas midterms acontecem a cada dois anos, entre uma eleição presidencial e outra. Mesmo sem escolher um novo presidente, a votação funciona como uma espécie de avaliação do governo. O resultado mostra se os eleitores estão satisfeitos com a administração atual ou se preferem dar mais espaço à oposição.

O momento é delicado para Trump. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na véspera da votação mostrou que a aprovação do presidente está em 32%, número próximo da menor marca registrada durante seu mandato. O levantamento também apontou vantagem dos democratas na preferência dos eleitores para o Congresso: 46% disseram que pretendem votar em candidatos do partido, enquanto 38% escolheram os republicanos. Entre os eleitores que não se identificam com nenhum dos dois partidos, metade afirmou que pretende votar contra Trump.

Hoje, os republicanos têm uma pequena vantagem na Câmara, com 218 cadeiras, contra 214 dos democratas. Para assumir o controle da Casa, a oposição precisa conquistar pelo menos quatro vagas a mais. As projeções apontam que os democratas têm boas chances de conseguir esse resultado. No Senado, a disputa também promete ser acirrada. Os republicanos possuem 53 cadeiras, enquanto os democratas e os independentes que costumam votar com eles somam 47. Para alcançar a maioria, os democratas precisam chegar a 51 senadores.

Entre os assuntos que mais preocupam os eleitores estão os preços dos combustíveis, dos alimentos, dos planos de saúde e das moradias. O aumento do custo de vida tem provocado insatisfação, e o prolongamento da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã também pesa contra o governo. Os democratas criticam a política externa de Trump e afirmam que as tarifas comerciais adotadas pelo presidente contribuem para deixar vários produtos mais caros. Já os republicanos tentam destacar medidas como o endurecimento das regras de imigração. A inteligência artificial também entrou nas discussões da campanha.

Na véspera da votação, Trump intensificou os pedidos de apoio aos candidatos republicanos. Durante um discurso de aproximadamente 50 minutos em Washington, o presidente chamou a eleição de uma das mais importantes da vida dos americanos e voltou a atacar os democratas. Ele afirmou que o partido adversário apresentou os candidatos mais extremistas e perigosos da história dos Estados Unidos. Trump também acusou os rivais de defenderem aumento de impostos, fronteiras abertas e medidas que, segundo ele, poderiam encarecer a energia. Para convencer os eleitores, o republicano pediu que seus apoiadores votassem como se ele próprio estivesse disputando a eleição.

Uma derrota dos republicanos pode trazer problemas importantes para o presidente. Caso os democratas conquistem a Câmara, passarão a controlar as comissões responsáveis por acompanhar o trabalho do governo. Com isso, poderão convocar integrantes da administração, pedir documentos e abrir investigações sobre decisões tomadas pela Casa Branca. Também poderão cobrar explicações sobre contratos e possíveis conflitos de interesse. Além disso, os democratas podem voltar a discutir a possibilidade de um impeachment. A Câmara pode apresentar acusações contra o presidente, mas o julgamento acontece no Senado, onde uma condenação exige o apoio de dois terços dos senadores.

Se os democratas também conseguirem assumir o Senado, Trump poderá enfrentar ainda mais dificuldades para aprovar nomes indicados para cargos importantes, embaixadas e tribunais federais. Mesmo com uma possível derrota, o presidente continuará tendo poder para tomar algumas decisões por meio de ordens executivas. No entanto, terá mais obstáculos para transformar suas propostas em leis. O resultado da votação também poderá influenciar as disputas políticas que começam a se formar de olho na eleição presidencial de 2028. Como Trump já exerceu dois mandatos, ele não poderá disputar novamente a Presidência.