Jair Bolsonaro volta a soluçar e tem taquicardia dias após o 2º turno

A equipe médica responsável pelo acompanhamento de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro encaminhou relatório semanal ao Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde desta sexta-feira, 30 de outubro, com atualizações sobre seu estado clínico. O documento foi enviado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no qual o ex-presidente foi condenado. Segundo as informações apresentadas, foram registrados episódios de taquicardia entre os dias 27 e 29 deste mês, além de intermitência em quadro de soluços, com maior incorrência durante o período noturno.

Quadro vinha sendo considerado estável nas últimas semanas

Nas comunicações anteriores encaminhadas à Corte ao longo do mês de outubro — nos dias 2, 9, 16 e 23 — a equipe médica havia classificado o estado de saúde como regular e estável. A única ressalva feita nesses relatórios anteriores referia-se a um episódio isolado de taquicardia registrado na tarde do dia 2, descrito como de curta duração e com melhora espontânea, sem indicação de intervenção médica emergencial. A recorrência observada nos últimos três dias representa, portanto, uma alteração em relação à estabilidade que vinha sendo observada.

Prisão domiciliar foi concedida por motivo de saúde

Jair Bolsonaro cumpre medida de prisão domiciliar em Brasília, em benefício concedido pelo ministro Alexandre de Moraes fundamentado no estado de saúde em que se encontrava durante período em que esteve em instalações penais. A transferência para o regime domiciliar permitiu acompanhamento contínuo por equipe médica própria, com relatórios periódicos enviados ao STF para avaliação da necessidade de manutenção ou ajuste nas condições de cumprimento da medida. A concessão desse benefício segue critérios técnicos de avaliação médica e é reavaliada conforme a evolução do quadro clínico.

Contexto político recente marca período eleitoral

O acompanhamento médico acontece em um momento de intensa movimentação política no país. No último domingo, 25 de outubro, ocorreu o segundo turno das eleições presidenciais, no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com mais de 64 milhões de votos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, foi o candidato adversário na disputa. A vitória foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, encerrando o processo eleitoral conforme previsto no calendário oficial.

Dois dias após eleição, Flávio Bolsonaro deixa o país

Na terça-feira, 27 de outubro, dois dias após a divulgação do resultado oficial, Flávio Bolsonaro seguiu viagem para os Estados Unidos, acompanhado de sua esposa e duas filhas. O trajeto incluía paradas na Argentina e no Equador antes da chegada ao destino final. Já em território norte-americano, o senador divulgou uma mensagem na qual se intitulava “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, sem apresentar elementos que sustentassem a afirmação. A publicação não alterou o resultado oficial proclamado pela Justiça Eleitoral.

Relatório médico não estabelece relação com eventos externos.

O documento encaminhado ao STF limita-se a registrar os sintomas observados e a evolução clínica do paciente, sem estabelecer correlação oficial com eventos externos ou circunstâncias pessoais e familiares. Cabe à equipe médica manter o acompanhamento e informar a Corte sobre a necessidade de eventuais ajustes no regime de acompanhamento. Que os cuidados necessários sejam prestados com a atenção devida, dentro dos princípios que regem a dignidade da pessoa humana, independentemente de posicionamentos políticos ou judiciais.