Deputada do PSOL pede ao STF bloqueio de bens de Flávio Bolsonaro

A deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) apresentou nesta sexta-feira, 30 de outubro, um pedido formal ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando o bloqueio cautelar dos bens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A demanda foi encaminhada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, a quem coube determinar anteriormente a entrega dos passaportes do parlamentar — ordem que, conforme informações públicas, não foi cumprida antes de sua viagem aos Estados Unidos.

Fundamento jurídico e legislação aplicável

No documento protocolado na Corte, a parlamentar ampara seu pedido em precedentes já consolidados da própria Suprema Corte, que autorizam a adoção dessa medida quando houver indícios suficientes de prática de infração penal e quando houver vínculo dos ativos investigados com os fatos apurados. A legislação brasileira prevê que o bloqueio de bens pode ser decretado como medida cautelar, sem prévia comunicação ao interessado, quando necessária para garantir que o patrimônio não seja movimentado ou transferido, prejudicando o andamento das investigações e eventual ressarcimento ao erário.

Contexto das investigações em curso

Flávio Bolsonaro é alvo de um inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Os trabalhos estão ligados a negócios e operações financeiras envolvendo seu amigo e advogado, Willer Tomaz. A investigação teve origem em processos na Justiça Federal e foi encaminhada ao STF por questões de competência, já que o senador detém foro privilegiado enquanto exerce seu mandato parlamentar.

Elementos encontrados pela Polícia Federal

Entre os elementos reunidos pela Polícia Federal que subsidiam o pedido está um conjunto de mensagens eletrônicas, entre elas e-mails, que indicam que Flávio Bolsonaro teria sido cadastrado como “usuário master” em uma conta vinculada a empresa de propriedade de Willer Tomaz. Esse tipo de acesso costuma conferir amplos poderes de movimentação e consulta sobre transações, o que levou os investigadores a aprofundarem a análise sobre qual seria a natureza e a finalidade desse vínculo.

Finalidade da medida cautelar

Na solicitação apresentada ao STF, a deputada argumenta que “está caracterizado o fundamento para requerer o bloqueio cautelar de ativos, sem prévia ciência do investigado, pelo tempo estritamente necessário à preservação do resultado útil da apuração”. A medida não significa confisco nem condenação antecipada: tem como objetivo principal impedir que bens possam ser alienados ou transferidos enquanto as investigações prosseguem, garantindo que, ao final do processo, caso sejam confirmadas irregularidades, haja patrimônio disponível para eventual reparação de danos.

Próximos passos e garantias processuais

Cabe agora ao ministro Alexandre de Moraes conhecer do pedido e decidir sobre seu deferimento ou não. É importante destacar que qualquer decisão nesse sentido é passível de recurso e revisão pelos demais ministros da Corte. O próprio Flávio Bolsonaro, por meio de seus advogados, terá a oportunidade de se manifestar sobre a solicitação caso a medida seja adotada. A Justiça brasileira atua com base no princípio do contraditório, assegurando a todos o direito de defesa em todas as etapas do processo. Que os fatos sejam apurados com clareza, dentro da lei e com respeito aos direitos de todos os envolvidos.