Odair Hellmann abre o jogo sobre possível troca de goleiro após falhas

A reta final do Campeonato Brasileiro promete colocar Odair Hellmann diante de decisões importantes no Athletico, e uma das principais dúvidas envolve justamente a posição de goleiro. Depois da derrota para o Grêmio, por 2 a 1, na quinta-feira (29), em Porto Alegre, o desempenho de Mycael voltou a ser questionado, fazendo crescer os comentários sobre uma possível volta de Santos à titularidade. Com apenas cinco rodadas restantes, o Furacão ainda busca uma vaga na próxima edição da Libertadores, embora suas chances matemáticas tenham diminuído ao longo da competição. Nesse cenário, a segurança defensiva ganhou ainda mais importância, principalmente porque os dois goleiros utilizados durante a temporada apresentaram momentos de irregularidade. Mycael, que assumiu a posição após a saída de Santos, vem sendo questionado por atuações recentes, enquanto o experiente arqueiro também perdeu espaço anteriormente depois de cometer erros em partidas importantes. Questionado sobre a possibilidade de promover uma nova mudança, Odair Hellmann não indicou que pretende alterar imediatamente o titular. O treinador preferiu destacar a importância de transmitir confiança ao elenco e evitar substituições frequentes a cada resultado negativo. A declaração sinaliza que Mycael poderá continuar entre os titulares, pelo menos enquanto a comissão técnica avaliar que uma mudança não seria a melhor alternativa para o momento decisivo da temporada.

Durante a entrevista coletiva após o confronto com o Grêmio, Odair explicou que a análise do desempenho individual precisa considerar também o impacto das decisões sobre a confiança dos jogadores. Para o comandante, promover alterações constantemente pode criar ainda mais instabilidade dentro da equipe, especialmente quando o campeonato se aproxima do encerramento. O treinador lembrou que a preocupação não envolve apenas os goleiros, mas também outros setores do time, como a defesa e as laterais. “A gente tem que tomar um cuidado muito grande, não na análise, mas na parte profissional. Senão, a cada jogo, você troca um, dois, três. Não serve aquele, troca outro e outro. Estou falando de goleiro, zagueiro, lateral-direito e todo mundo. Vamos passar confiança para todos”, afirmou. Em seguida, reforçou que a comissão técnica precisa ter tranquilidade antes de tomar decisões sobre eventuais substituições. “Sobre a substituição de um jogador ou outro, calma. Senão vamos ficar trocando e não vamos encontrar uma solução. Isso vai gerar mais intranquilidade e falta de confiança. Faltam cinco jogos, estamos fazendo mais coisas boas na competição e vamos ter tranquilidade nas decisões que precisamos tomar”, completou. As declarações mostram que Odair não pretende transformar cada resultado negativo em motivo para uma reformulação imediata, embora isso não signifique que a posição de Mycael esteja definitivamente assegurada até o fim do Brasileirão.

A comparação entre os números de Mycael e Santos ajuda a entender por que a discussão sobre a titularidade voltou a ganhar espaço entre os torcedores. O experiente goleiro participou de 24 partidas do Campeonato Brasileiro, enquanto o atual titular esteve em campo em nove oportunidades. Santos começou a competição como primeira opção, mas perdeu a posição depois de apresentar atuações abaixo do esperado em determinados momentos da temporada. Entre os episódios que pesaram na avaliação da comissão técnica estão falhas cometidas durante a Copa do Brasil, especialmente no confronto contra o Vitória. Com a mudança, Mycael recebeu a oportunidade de assumir a meta atleticana e passou a ter uma sequência maior como titular. Na comparação da média de gols sofridos por partida, entretanto, Santos apresenta números melhores. O veterano registra média de 1,04 gol sofrido por jogo, enquanto Mycael tem índice de 1,67. A diferença chama atenção porque representa uma quantidade maior de gols sofridos por partida pelo atual titular. Ainda assim, os números precisam ser observados dentro do contexto de cada período, considerando também as condições defensivas da equipe e a quantidade de oportunidades concedidas aos adversários.

Outro indicador importante está relacionado ao número de defesas realizadas por cada goleiro. Mycael apresenta média de 3,22 intervenções por partida, enquanto Santos registra 2,62. Esse dado sugere que o atual titular tem sido mais exigido durante os jogos, o que também pode estar relacionado ao desempenho coletivo do sistema defensivo. A defesa atleticana, inclusive, apresentou o quarto pior rendimento entre a 25ª e a 33ª rodadas do Brasileirão, período em que o jovem goleiro assumiu a titularidade. Por isso, a avaliação sobre o desempenho individual não pode ser separada das dificuldades enfrentadas pelo setor como um todo. Quando uma equipe permite muitas oportunidades aos adversários, o goleiro acaba sendo submetido a um número maior de intervenções e pode ficar mais exposto a situações de risco. Outro dado que chama atenção na comparação é o número de partidas sem sofrer gols. Santos conseguiu terminar sete jogos sem ser vazado, enquanto Mycael alcançou essa marca em apenas uma oportunidade. A diferença reforça o debate sobre a posição, mas não determina, isoladamente, qual dos dois deve ser escolhido para os compromissos restantes. A comissão técnica terá de considerar o momento de cada atleta, a confiança do grupo e as necessidades da equipe na reta final.

Apesar dos questionamentos, Odair também demonstrou preocupação em não responsabilizar exclusivamente os goleiros pelos gols sofridos pelo Athletico. Ao comentar as dificuldades defensivas, o treinador ampliou a análise para o posicionamento coletivo e para a participação de todos os jogadores nas situações de bola parada. A observação é relevante porque parte dos problemas recentes não depende apenas da atuação de quem está debaixo das traves, mas também da maneira como o time organiza a marcação e protege sua área. Nesse contexto, uma eventual troca de Mycael por Santos não representaria, necessariamente, uma solução para todas as dificuldades defensivas do Furacão. O treinador terá de avaliar se a mudança realmente pode contribuir para melhorar o desempenho ou se a manutenção do atual titular oferece mais estabilidade ao grupo. Além dos dois goleiros, o elenco principal conta com Matheus Soares como terceira opção para a posição. Embora não apareça como protagonista da discussão neste momento, o jogador também integra as alternativas disponíveis para a comissão técnica. Com cinco partidas pela frente, cada decisão poderá ter influência direta na tentativa de alcançar a classificação para a Libertadores.

A definição sobre quem será o goleiro titular do Athletico nos próximos compromissos deverá continuar entre os assuntos mais acompanhados pela torcida. De um lado, Santos apresenta números superiores em gols sofridos por partida e partidas sem ser vazado, além de carregar a experiência de quem já teve uma longa trajetória defendendo o clube. Do outro, Mycael recebeu a confiança de Odair para assumir a posição e segue tendo a oportunidade de mostrar evolução durante a reta final do campeonato. O treinador, por enquanto, demonstrou preferência por evitar mudanças precipitadas e reforçou que pretende tomar decisões com tranquilidade. A derrota para o Grêmio aumentou a pressão sobre o setor, mas a declaração do comandante indica que uma alteração não está definida neste momento. O Furacão ainda tem cinco jogos para tentar alcançar seu objetivo na competição e precisará encontrar equilíbrio entre a confiança nos jogadores e a necessidade de corrigir os problemas apresentados ao longo da temporada. A dúvida permanece: Odair manterá Mycael como titular ou voltará a apostar na experiência de Santos? A resposta deverá aparecer nas próximas escalações do Athletico.